terça-feira, 9 de junho de 2009

Ok, são 6 da manhã.

O título fala por si. Foda-se, é que são mesmo 6 da manhã. E que faria um gajo marado como eu, uma pessoa que não tem qualificações suficientes para se denominar de tal ?

Olha para este blog imundo, escreve, e pede a alguma força superior à sua para não o deixar adormecer à frente do teclado.

Vou-vos ser sincero. Hoje estou pertinentemente mal disposto. Será comum ? É. Sem puta de dúvida alguma. Aliás, dizendo que hoje é pertinente que eu esteja mal disposto, estou a dizer que todas as últimas vezes que proferi o meu desgosto, não eram sinceras. Nada mais longe da verdade. Mas hoje estou mal disposto com razão, e dou-vos o agrado de saberem porquê. E não, não é pela falta de sono. Estou habituado a não dormir, as minhas insónias crónicas queimam-me corpo e alma, mas vou vivendo.

Hoje, mesmo não tendo dormido, acordei mais um bocado. Nem gritei um "foda-se" tão comum, nem gemi, nem sequer tentei fechar os olhos e voltar a um sono lúgubre, de uma falsidão enorme. Acordei, e olhei para o tecto liso. Era como se a luz me beijasse a vista, e me dissesse "Tu vês tanto, que só te fodes por tanto ver.".

Aí sim, gritei "foda-se". É incomum as minhas epifanias cuspirem-me na cara, e realmente, não estava preparado. Ou ainda mais, também não me habituo a ouvir vozes, porque não as ouço realmente, a não ser aquelas duas putas que são as vozes da consciência. E é nisso que eu penso, no meio daquela maldita frase.

Talvez tenha acordado a meio de uma conversa divertida entre as minhas consciências. Mas não vamos pela teoria simplista do Bem e do Mal. Não gosto de teorias simplistas, e sei bem o que me corre nas veias. As minhas consciências ? Temos à má, e a um pouco menos má. Dê por onde der, não me safo.

Mas lá acordo eu, ouço tal barbaridade poética ou filosófica, daquelas merda que fazem um gajo pensar na sua realidade, e no quanto abrange a dos outros, e fico atónito. Talvez tenham razão. Talvez eu veja demasiado, pensando que veja tão pouco. Não duvido da minha capacidade de ler os outros (sempre consegui discernir situações e personalidades com facilidade, mea culpa), mas sempre achei que havia algo que me escapava, que fugia ao meu controlo. Uma sombra de um vulto que não existe. Algo que passava pelos cantos dos meus olhos, sem me deixar olhar fixamente.

E foi aí que pensei. Eu sei a verdade. Mas não a quero ver realmente, quero modificá-la, e fazer dela o que a mim me convém. Não será essa a meta de todos nós ? Atingirmos o grau de liberdade suficiente, que a certo ponto, consegui-mos moldar a nossa realidade, mesmo que muito levemente ?

É hipócrita da minha parte querer isto, ou dizer tal coisa. A minha verdade, é a minha verdade. Eu sei a minha verdade, eu encontrei a minha verdade. Se atrás de todas as mentiras, ouviram uma voz cujos gritos eram abafados, essa voz, esses gritos, eram os meus.

Mas longe de mim querer moldar a vossa realidade. Quem sou eu, aliás ? Algum tipo de Demiurgo audaz, que implanta nas mentes dos mais incautos as mais variadas ideias, que os trespassam como uma faca quente, passando pela manteiga ?

A minha verdade é a minha verdade. Já abri os olhos, de várias formas, a muita gente. E já vi que não vale a pena abrir-lhes os olhos. Mais vale obrigá-los a abrirem-nos por si mesmos.

Porque se fôr eu a fazê-lo, a única coisa que vão ver, serão as suas lágrimas a acalmar um incêndio nas suas almas.

E por mim, mais vale que ardam mais um bocado, mas que aprendam algo de jeito com as suas queimaduras.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Branco e preto, preto e branco.

Quando nasço, sou preto.
Quando vou à escola sou preto.
Quando apanho sol, sou preto.
Quando tenho frio, sou preto.
Quando tenho medo, sou preto.
Quando estou doente, sou preto.
Quando morro, sou preto.

E tu amigo branco ?

Quando nasces, és rosa.
Quando vais à escola, és branco.
Quando apanhas sol, és vermelho.
Quando tens frio, és azul.
Quando tens medo, és pálido.
Quando estás doente, és amarelo.
Quando morres, és cinzento.

E és tu que me chamas "pessoa de côr" ?