quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Luz ao fundo do túnel

Ultimamente, ao reflectir na minha vida e nas minhas acções, deparo-me frequentemente com uma dualidade de espírito. Um lado peace and love, conformista, cínico, calmo e cheio de planos para o futuro. O outro lado penso que seja o inverso, pois nunca esteve activo muito tempo, mas sempre presente. Sinto-o a chegar. Sinto-o a mostrar os dentes e garras, é como uma energia que se apodera de mim. O cérebro para de pensar no que acontecerá se eu fizer isto ou aquilo, cala-se. A respiração fica pesada, as mãos tremem e as lágrimas soltam-se. Aqui estão as fases do meu outro lado. Até hoje, sempre que chego à terceira fase, fujo. Não porque tenha vergonha que as pessoas me vejam a chorar, mas porque a sensação de que algo vai correr mal é tão grande que tenho que sair de onde estou. A ultima vez que isso aconteceu foi ontem. No momento em que o senti a subir estava a falar com uma senhora que se estava bem a cagar para o meu caso visto que para me ajudar, minto, para que ela fizesse o seu trabalho como deve ser, teria que mexer aquele cu gordo, cheio de celulite. O cumulo foi quando ela arranjou maneira de por a sua incompetência em mim, numa suposta falha minha. Tudo isto com um sorriso na cara. Foi ai que ele entrou, cheio de força e motivação. Como se o tempo tivesse parado e tudo o que eu conseguia ver era o filha da puta do sorriso, nada mais importava. Vi-me e revi-me a encher aquele focinho de murros e pontapés, mas o sorriso estava sempre lá. Volto à realidade, pego nos meus papeis e ponho-me no caralho antes que a fase três entre e o sonho se torne realidade. Espero o dia em que não possa fugir de mim próprio e que tudo se solte, aconteça o que acontecer.