sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Policia Judiciária
- Para casa.
- Bilhetes de identidade. O que é que levas na mochila ?
- Nada, pode ver.
- Consomem drogas ?
- Sinceramente, sim.
- Têm alguma coisa convosco ?
- Não, pode revistar.
- Se tiverem, é melhor darem...
- Não temos nada, podem revistar.
- O que é que tens nos bolsos ?
- Telemovel, chaves, maço de tabaco, baralho de cartas, canivete e mortalhas.
- E xamon, não ?
- Já dissemos que não. As mortalhas são para o tabaco de enrolar.
- Muito bem. Onde é que moram ?
- Ali em cima.
- Eu moro já ali.
- Revistaste-o ?
- Sim, tá tudo bem.
- Muito bem, podem ir.
- Boa noite.
- Boa noite.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Finito
E nada importa, porque somos merda. Mais humildade haveria neste mundo, se o Homem fosse permanentemente relembrado de que da merda nasceu, merda é, e na merda morrerá.
Entretanto, a vida relembra-me de que não me devo agarrar às pessoas. Porque o hei-de fazer? É bom ter alguém que nos ame momentaneamente, mas após esse amor, que resta? Apenas auto-comiseração e sofrimento. Saber que tanto se ofereceu e posteriormente ser descartado como um simples lenço de papel amarrotado é lamentável.
Mais lamentável ainda, é a hipocrisia. Talvez não exista maior desfeita que assegurar a apreensão do íntimo de um indivíduo, e posteriormente ser vítima do frio banho da verdade.
Confiamos. Acreditamos. Amamos. Mas são tudo mentiras. Tudo traições.
Enquanto solitário, não as há. Ninguém a quem prometer, ninguém a quem justificar. Simplesmente ninguém. E é óptimo, pois a mágoa jamais acerca o espírito.
Nunca foi necessário o presente ser o Século XXI para o homem regozijar apenas a sua própria companhia. Já muitos outrora padeceram de tal privilégio e o apreciaram com gratidão. Agradeceram-se e rumaram ao futuro, pois a mais ninguém o poderiam fazer.
“Nenhum homem é uma ilha”, mítica afirmação dita por John Bon Jovi. Eu contesto. Mais fácil é o homem apreciar a ausência da companhia, do que a companhia apreciar a presença do homem. Porque neste mundo, cada qual por si, e nestes tempos de crise, quanto mais.
Pois a solidão é um estado de salvação. É uma oportunidade para amadurecer e resolver a vida. É cessar e viver com o “eu” interior. Esse “eu”, que nunca deixa a o relógio andar por ninguém, que nunca fere, tortura ou engana.
Triste realidade, ó vida infame.
Era uma vez
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Eu ou tu ?
Penso nisto constantemente, é um pensamento recorrente. A cada leve movimento, persegue automaticamente a minha mente, com uma questão que não me mente, à qual não há uma resposta suficiente.
Serei teu, ou serás tu minha ? Cada passo que dou, ela ao meu lado caminha. E eu não sei se olho eu para ela, ou ela olha para mim. Mas está lá, sempre. E isto irrita-me, constantemente. E eu, fico sempre assim, consternado, alienado da razão. E ela. Ela continua lá.
Vejo-a todos os dias, a toda a hora. Olho para ela, ou ela olha para mim ? Segue-me para todo o local onde vou, como um cão subserviente. Chega a ser irritante, mas habituei-me à ideia, embora tente encontrar uma resposta a toda a hora.
Seremos o mesmo, ou diferentes ? Será que tu sentes como eu sinto ? Será que tu mentes como eu minto ? Será que ris como eu me rio ? Quando eu me calo, perdes o pio ?
Ou será que sou eu que te sigo, e não o contrário ? É este o meu pensamento diário. Seja como fôr, corremos os dois pelo mesmo horário. E contigo, nunca me sinto sozinho.
Acabaremos por viver os dois juntos, para sempre. E tu és daquelas que nunca mente. Talvez porque não possas. Talvez porque te mexas pelo mesmo caminho que eu. Mas nunca saberei a verdade. E tu não ma dizes, e ris-te de mim a toda a hora. Talvez tu saibas a resposta. Ou talvez te indagues como eu, a toda a hora.
Será que ele é meu, ou eu sou dela ?
Estamos um para o outro, sombra. E assim será, eternamente ...
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
A revolução dos cravas
Mas reparas que não tens dinheiro para pagar.
Sabes logo que só há, uma coisa a fazer
E essa coisa é, a simplicidade do cravar.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
Sem cheta no bolso
Parece que tem um buraco.
Saltas de moço em moço
Parecendo um macaco.
Estes são os galhos da tua vida
Onde tens de te pendurar.
Quando a situação está fodida
A qual deves tu cravar ?
É a revolução dos cravas
Dizias tu que mas pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que mas pagavas!
E é durante a noite
Que um cigarro queres fumar
Pregas a um amigo um leve açoite
A nicotina a ressacar.
Ele olha-te com cansaço
Manda-te logo foder
Mas saca sempre do maço
Mais um cigarro a perder.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas!
Tu sabes que é assim
Pagas a tua e a dos outros
E é que mesmo no fim
Todos eles não são poucos.
Sabes lá tu o que eles fazem
Com o dinheiro pra comer.
Quando as médias se abrem
Vêm logo a correr.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas!
A fuga é impossivel
A esta onda de cravanço!
Tu só sabes que é incrivel
Fazerem de ti um corno manso.
É a revolução dos cravas,
Dizias tu que a pagavas.
Cada uma que lhes pagas
É menos uma que mamavas.
Chama-lhe o que quiseres
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Absinto
Quem te bebe que o diga
Eu gosto e não minto
Dedico-te a ti esta cantiga.
Absinto
Liquido e ardente
Toda a rua um labirinto
Quebraste a minha mente.
Absinto
Desejo requinte
Eu bebo e não minto
Venha o copo seguinte.
Absinto
Faço deste chão a minha cama
Eu gosto mas já não sinto
O meu coração que se inflama.
Absinto
Acendes em mim a tua chama
Vejo um vulto indistinto
Que pelo meu nome exclama.
Absinto
A noite acabou, e eu acabei de cair
Tu dos impérios és o Quinto
E eu nada faço, a não ser sorrir ...
Força do movimento
Sinto-me obrigado a avançar
Pela força do movimento
Cada passo, num momento
Um destino novo a traçar
Mas não me posso chatear
Aborrecer, para os eloquentes
Se de má forma eu falar
Dirão asneiras veementes.
E se com todos estes meus dentes
Tento sorrir de forma sagaz
Não há melhor movimento de mentes
Que um sorriso deste rapaz
Que se derrete por um sonho
Que vive sem sentido
É a vida, suponho
De um gajo bem fodido.
E fodido, porquê dirão
Ele até tinha consciência
De vida abaixo de cão
Perdeu logo a paciência.
Por isso escreveu algo aleatório
Rimar, eu já nem tento
Podem dizer que é premonitório
Mas é a força do movimento.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Porque o esforço é fútil quando o sentimento é vazio
Leão, Salgueiro, Chuva, Sporting, Voa Comigo, Lloret, Escuteiros, Design. O castelo, o ex-posto militar, o corredor das quarenta, o Liceu, a casa do Marco, a Quinta do Dr. Beirão e o homem que consigo falava.
São todas expressões que nada significam, nada importam, nada alteram. Para todos os outros.
Para mim, significam tudo. A cada uma está atribuída uma memória, a essa memória, um sentimento. Torna-se bastante peculiar a forma como o ser humano atribui simbologias a pequenos artefactos inofensivos. Mais tarde tais artefactos reivindicam as memórias guardadas e tornam a atormentar a paz interior.
Oh, como anseio pelo raiar do astro que me irá levar este ultimo fôlego. Até lá, estas palavras que poderiam obter outro papel qualquer, serão sempre o mesmo para mim, um maldito castigo.
Não me posso recordar, anseio pelo seu regresso. Não me posso esquecer, em todo lado estão.
Mais, culpa não se pode atribuir a quem. Não há do culpado, não há repúdio. Pois é isso a paixão, um crime sem justiça.
Oferta milagrosa seria oferecerem-me imparcialidade, ficar neutro. Em leigas palavras, esquecer. Não é possível, já me acreditei que não. Nunca totalmente. Para si, serei sempre uma sombra que atormenta a sua alma.
Falta-me a coragem necessária para esquecer estas expressões e seus significados.
Tal ímpeto tarde chegará.
