quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Finito

Antes pensava que a solidão era algo que quando em demasia poderia tornar-se prejudicial. Hoje, acho que nem a mínima é. Este mundo está podre, assim como os homens que o fazem andar. No final de mais de dois mil anos de existência, o ser humano ainda não possui a capacidade de reparar que tudo é superficial. Não importa quão bem ou mal erramos a vida. Não importam quaisquer atitudes, sejam essas correctas ou erradas. Não importa o dinheiro gasto, o dinheiro poupado ou a sua falta. Nada importa.

E nada importa, porque somos merda. Mais humildade haveria neste mundo, se o Homem fosse permanentemente relembrado de que da merda nasceu, merda é, e na merda morrerá.

Entretanto, a vida relembra-me de que não me devo agarrar às pessoas. Porque o hei-de fazer? É bom ter alguém que nos ame momentaneamente, mas após esse amor, que resta? Apenas auto-comiseração e sofrimento. Saber que tanto se ofereceu e posteriormente ser descartado como um simples lenço de papel amarrotado é lamentável.

Mais lamentável ainda, é a hipocrisia. Talvez não exista maior desfeita que assegurar a apreensão do íntimo de um indivíduo, e posteriormente ser vítima do frio banho da verdade.
Confiamos. Acreditamos. Amamos. Mas são tudo mentiras. Tudo traições.

Enquanto solitário, não as há. Ninguém a quem prometer, ninguém a quem justificar. Simplesmente ninguém. E é óptimo, pois a mágoa jamais acerca o espírito.

Nunca foi necessário o presente ser o Século XXI para o homem regozijar apenas a sua própria companhia. Já muitos outrora padeceram de tal privilégio e o apreciaram com gratidão. Agradeceram-se e rumaram ao futuro, pois a mais ninguém o poderiam fazer.

“Nenhum homem é uma ilha”, mítica afirmação dita por John Bon Jovi. Eu contesto. Mais fácil é o homem apreciar a ausência da companhia, do que a companhia apreciar a presença do homem. Porque neste mundo, cada qual por si, e nestes tempos de crise, quanto mais.

Pois a solidão é um estado de salvação. É uma oportunidade para amadurecer e resolver a vida. É cessar e viver com o “eu” interior. Esse “eu”, que nunca deixa a o relógio andar por ninguém, que nunca fere, tortura ou engana.

Triste realidade, ó vida infame.

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