segunda-feira, 31 de março de 2008
Que se foda.
Enquanto estou sentado na minha simples cadeira, à frente da minha mesa de madeira, a beber directamente da garrafa de àgua Luso, e a ouvir uma música que trás à minha mente o mais puro ódio irracional, vou descarregar aqui um bocado dele mesmo. Aqui, agora e sempre, a minha mente está num rubro intenso e carregado, porque eu, quero simplesmente que tudo se foda.
Quero que o Mundo se foda, que se enterre na merda que deixamos e criamos. Quero que arda intensamente pelos pecados de todos, quero que se mutile nas regras da sociedade. Quero que a decência e indecência, consciência, moral ou ética, tudo e mais alguma coisa, sejam abolidas e destruídas.
Diriam que quero um Mundo simples ? Nada mais errado. Quero apenas que desapareça. Não faz sentido, e não me parece que o vá descobrir, ou que alguém o faça. Somos minusculos, insignificantes, diminutos grãos de areia com data de validade. Somos a junção de dois conjuntos de genes distintos, e que mesmo assim, não nos abonam em nada.
Quero que se fodam os falsos. Quero que se fodam os Machos e Femeas Alpha. Quero que se foda loiro, ruivo e moreno. Quero que se foda a pretenção que os conflitos que se resolvem na base da violência. Quero que se foda a pretenção que existe mérito em acabar um conflito com palavras. Que se foda o ódio, o amor, a raiva, a paixão. Que se fodam chineses, portugueses, espanhóis, americanos ou russos. Ricos e pobres, gente comum ou intelectual, que todos se fodam. Que se fodam também as igrejas. Que se foda tudo e mais alguma coisa, e que me foda eu também, por fazer parte desta merda.
Que arda tudo na mesma pira, e alguém arranje a folha em branco, para ver se uma vez na nossa vida, conseguimos fazer algo bem !
“O que é que o mundo pode esperar de ti?”
O que é que o mundo pode esperar de mim? Nada. Da minha geração? Nada. Estamos demasiados preocupados com o nosso umbigo para olhar para os problemas da sociedade e do mundo. E também, quem é que tem tempo para pensar com tantos programas de televisão para ver e tantos profiles de hi5 para espiar?
Pessoalmente acho que tudo o que eu possa fazer para ajudar de qualquer forma o mundo será em vão. O mundo está demasiado “poluído” pela ganância e pela exploração, que qualquer acto de ajuda seria ignorado.
Certa vez tentei reciclar para ajudar a melhorar o ambiente, achei a ideia divertida e que não custava nada separar o lixo… Até ao dia em que presenciei os camiões que recolhem o lixo reciclado dos ecopontos a deitarem o seu conteúdo para o aterro, misturando o lixo reciclado com o lixo comum. Essa foi uma das inúmeras vezes que fiquei bastante decepcionado com a nossa sociedade corrompida pela ganância e pelo poder.
Em pequeno plantei uma árvore com o meu avô, quando o abate de árvores estava muito em voga. Há pouco tempo, ainda estava a árvore na primavera da vida, o local onde a plantei foi devastado pelo fogo e agora não passa de um mar de cinzas.
Poderia estar o resto da noite a escrever e descrever exemplos de como tentei melhorar o mundo, muitas vezes inconscientemente, e não consegui. Mas acho que ainda há esperança. Quando o principal objectivo dos homens que “conduzem” o planeta for o de salvar o mundo e não encher os bolsos à pala de guerras e explorações, aí sim, posso dizer que há esperança.
Há muito tempo disseram-me que, para finalizar um texto, deve-se usar uma citação de alguém conhecido, para dar ênfase ao mesmo.
“I feel for the humanitarian efforts going on around the world; but I can't help be overwhelmed with the feeling that our planet, great mother earth, must be saved before any other success achieved by the human race. “
- Ian Anderson, 18 anos, estudante.
