quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais um dia, mais um ano.

Daqui a umas 18 ou 19 horas estaremos em 2009. Resoluções de novo ano ? Pá, sempre posso dizer que vou fazer isto, largar aquilo e moderar no outro. Mas se nem sei como vai ser a puta da passagem de ano como querem que saiba o que vou fazer para o ano ? Pois. Adiante, é nesta altura que toda a gente se lembra das cenas que fez no ano inteiro. É também nesta altura que os políticos mentem, mais uma vez, na cara do povo. Dizem que vão fazer o que prometeram cumprir, mas no fundo todos nós sabemos o que vai acontecer. Nada. Vão apenas ficar sentadinhos a coçar os tomates e a encher os bolsos à pala do zé povinho. Zé povinho este, que manda vir sempre que algo está mal. Mas nunca faz a ponta dum corno para alterar o que está mal. Apontar defeitos é fácil. Mostrar soluções e força de vontade já é mais fodido. Até consigo perceber o ponto de vista dos políticos portugueses. Quem rouba a quem se deixa roubar não é ladrão. Mudando de assunto. Estou um ano mais velho e querem saber o que penso acerca disto ? Acho que quanto mais velho, mais desnorteado. Recebi a excelente notícia que o meu contracto laboral não será renovado no próximo mês. Por um lado foi um alívio, pois a rotina estava-me a matar. Por outro lado foi mau, porque agora tenho que andar à procura de emprego outra vez. Hm. Sempre disse que o ser humano não foi feito para trabalhar. É como o outro disse: "I was born to party but forced to work". E agora está a chegar aquela parte em que não sei mais o que escrever. Não deixa de ser um bom tópico. Mas deve ser uma merda para ler. Que se foda. Vou aborrecer-me para outro lado.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Diário de um homem morto

Heh. Estou a falar sozinho. Parece que atingi o limite da minha loucura, e personifiquei a minha mente. Lindo. Já comecei a narrar e tudo. Bem, toda a esperança está perdida, por isso, vou-te dar o prazer - sim, a ti, mera sombra da minha imaginação, vou-te dar o prazer - de conheceres todos os factos que me trouxeram até este maldito calabouço. Primeiramente, apresento-me a mim. Sei que já me conheces, não sejas tu a encarnação da minha loucura, mas não importa. Chamo-me Verissimo, ou pelo menos, é de como me lembro ser chamado. Também me lembro de me chamarem crápula, traidor, nojento, filho da puta e muitas outras coisas. Mas isso já tu sabias, não é?

Bem, agora que as apresentações estão feitas, estás a ver o que eu vejo ? Provavelmente. Uma sala de pedra escura, infestada de lixo, impestada com um cheiro a vómito e sangue. O único som que ouço, é uma maldita ave lá fora, mesmo ao lado da única janela que aqui há. Aquela janela fechada, por onde entra nada mais que uma fresta de luz. Aquela puta de ave, que canta como que gozando a dicotomia entre nós os dois. Sinto-me furioso, em ebulição.

Tento fugir. Mas como seria óbvio, não estou aqui a falar para mim próprio sem razão. Ouço automaticamente o ruído metalico das correntes que me prendem pelos pés, braços e pescoço, à maldita parede. Sento-me, e encosto-me à parede. Bato levemente com a cabeça na parede, e passando com os dedos, ao de leve, pela nuca, reparo que estou a sangrar.

Foda-se.

Foi da pancada que recebi, quando me meteram inconsciente.

Filhos da puta.

Estou cansado. Tão cansado. Não percebo nada desta merda. E tu, queres saber mais ? Queres respostas ?

...

Fode-te.

Espera como eu. Agora vou dormir. Amanhã pode ser que haja sorte.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Quando só te apetece partir,
Largar tudo e fugir.
Quando só te apetece morrer,
Fechar os olhos e esquecer.
Quando já não sabes o que pensar,
Ninguém te pode ajudar.
Quando bates no fundo e não sabes que fazer,
Vais ao café e começas a beber.
Quando vês mais um copo vazio,
A lucidez está por um fio.
Quando fumas mais um charro para acabar com a dor,
Apenas te sentes pior, invencível e sem pudor.
Quando cais e vês o sangue a pingar,
Pensas que tudo vai acabar.
Quando acordas e reparas que não acabou,
Sentes que o mundo desmoronou.
Quando não te queres levantar,
São horas de ir trabalhar.
Quando pensas que nada pode piorar,
Toda a gente te dá na cabeça, que podes melhorar.
Quando chegas a casa e só te apetece deitar,
Adormecer e nunca acordar.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Merry-Fuckin'-Christmas

Esta época mete nojo. Parece que ninguém reparou que se trata de um tapa-olhos para todos os problemas sociais e económicos deste país. Andam todos felizes, a comprar meias para os familiares nos chineses, como se nada importasse. Então e depois? Depois da passagem de ano, quando todos voltam ao trabalho? Aí começam a ver que talvez não deviam ter dado aquele carro telecomandado ao João, ou aquela boneca que fala à Isabel. Sentem a carteira mais leve, e a falta do dinheiro para problemas realmente graves. Mas o português não se importa, nem nunca se importou. Há-de arranjar algum trabalho extra para recuperar todo o dinheiro que desapareceu entre os brindes e regalos.

Mas e trabalho? Estamos em Portugal, a terra onde ter um emprego é um sonho e um pesadelo. Sonho, pois arranjá-lo é bastante improvável. Pesadelo, pois quem o arranja queixa-se de que não ganha o que merece. Resultado: Falta de dinheiro, falta de trabalho, falta de saúde psicológica, falta de esperança, infelicidade. É nisto que dará o Natal daqui a uns anos, se é que não se está a suceder neste momento.

Depois ainda vêm com merdas como "Paz e amor, época de dar e receber", quando têm conhecimento do confronto que está precisamente a suceder-se neste momento na Grécia, e dos n sem-abrigos que estão por aí sem um pedaço de pão. O Natal é uma época egoísta, apenas ainda ninguém reparou nisso.

"Feliz Natal" o caralho, isto de feliz não tem nada, e de natalício só mesmo a crise.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Silent screams and shattered dreams

Saí do carro, e olharam para mim. Milhares de olhos fitaram a minha postura, a minha pessoa, o meu todo. Viram-me a carne, olharam-me a alma. Um monstro enjaulado, preso por correntes à parede de tijolo que é a vida. Abstraí-me destes pensamentos sem sentido, e senti o frio na pele. Por hoje, o Sol já havia morrido, e a Lua reinava rainha do céu escuro. A passos leves e curtos, ando calmamente pela rua, sendo trespassado por um frio mordaz que me queima a pele. Estupidez, fruto da minha arrogância. Nas ruas desta maldita cidade dos condenados, tudo apesta a morte e dor. Foi naquele bar que dois bandos se reuniram para resolver as suas diferenças, por meios violentos como seria normal. Morreu uma rapariga de 17 anos que nada tinha a ver com o assunto. Foi naquela parede que encostaram e esfaquearam um miúdo. Por um boné e uma nota. Ainda consigo ver a sombra do seu sangue, e acredito na dor dele. Nos últimos momentos, agarrado ao peito. A última lembrança da sua família. Dos seus amigos. De uma vida perdida, pela futilidade do nojo humano. Contenho as lágrimas nos olhos, e absorvo mais raiva. Pensar assim não me faz bem, nunca fez. Odeio isto. Odeio isto tudo, e vou sempre odiar. Já desci uma escadaria, e vejo mais um exemplo da dor. Pobre homem, deitado no chão. Coberto de farrapos, uma perna partida, com um miserável pedaço de cartão onde pedia, pelo amor do seu Deus, para lhe darem uma moeda. Ele viu-me. Estendeu o braço. E eu? Virei-lhe a cara. Reneguei-lhe uma ajuda. Sou um nojo, e isso vê-se. Cheguei ao meu destino. Vejo os meus amigos. Sentados numa mesa de madeira, bebem a largos tragos, fumam a longos bafos. Acolhem-me com um sorriso aquecedor, mas eu continuo a lembrar-me do que vi. Do que senti. Tenho as lágrimas a querer escapar-me pelos olhos, e faço tudo para o impedir. Que diriam eles se me vissem a chorar? Pensariam que sou um fraco. Mas eu não sou fraco. Ou será que sou? Já não sei nada, e nada me interessa. Peço uma cerveja. E lembro-me da moeda que reneguei ao pobre homem, ao lado da escadaria. Eu não sou um homem, caralho. Sou um rato. Bebo uma. Bebo duas. Começaram os múltiplos. Já tenho um cigarro na mão. O bar fechou, e saímos a cambalear. Uns sorriem. Outros choram. E eu. Eu estou no meu canto, de olhos baixos, a amaldiçoar a noite. Subimos a rua. Num cruzamento, separam-se de mim com um aperto de mão. Subo a ponte. Estou a chegar a casa, posso finalmente deitar-me, posso finalmente esconder o meu rosto e ser ninguém. Vejo um cão. Sujo, velho, doente. Tinha uma pata ferida. Tiro as chaves do meu bolso, estou quase a chegar a casa. Ele segue-me, como que me pedindo ajuda. Abro a porta de vidro, e ele fica lá fora, a olhar para mim. Já não aguento mais. Choro, num choro triste e solene. Não aguento mais esta dor. Eu, eles, o mundo. Lixo, nojo completo e imoral. Desço as escadas, e entro em casa. Dizem-me boa noite, perguntam-me se estou bem. Não me digno a responder, e fecho a porta do meu quarto. Puxo dos lençóis acima, e deito-me. Acabou o dia. Antes de adormecer, amaldiçoo o mundo. Amaldiçoo as pessoas. E amaldiçoo-me a mim mesmo, por ser como sou. Não há nada a fazer … mesmo nada a fazer.