sábado, 31 de janeiro de 2009

Foda-se.

Foda-se. Sinceramente ? Foda-se. Mas mesmo. Foda-se. Ao quadrado. Um foda-se ao cubo. Um foda-se elevado a uma colhonésima, a uma merda mesmo abissal. Mas é que mesmo, foda-se.

Um gajo acorda, levanta-se da puta da cama, deambula feito um filho da puta de zombie, bate com os joelhos em tudo o que é merda, arrasta-se para a filha da mãe da banheira para apanhar com água gelada nos cornos, para ter de se vestir a mesma roupa, para ter de vestir a mesma cara, a mesma disposição, a mesma MERDA todos os dias.

Mas é que FODA-SE!

Um gajo chega onde tem de chegar, tenta organizar a puta da mente em partes ordenadas para ver se nada desaba dentro do cerebro, tenta manter-se calmo, e é logo de manhã "Ah, hoje estás mal disposto!". Mas não hei-de estar mal disposto caralho ? Quando metade das pessoas com as quais convivo são animais, e quando a outra metade são os iluminados que raramente me aparecem à frente ?

Nãããão, foda-se, eu tenho é de ter um sorriso na cara! Tenho de aumentar a puta da fasquia unilateral da minha pessoa, e viver para os outros! Eu sou um santo! Foda-se, se o outro era o Super Camões, eu sou o Super Cristo! Posso não fazer da água vinho, mas estou cá para ser crucificado pelas opiniões dos outros.

Porque claro, um gajo não pode acordar mal disposto. Não posso olhar pela janela, sentir o frio do nevoeiro, e pensar "Foda-se, mais um dia de merda.". Nããão, tenho de pensar "Oh, bela manhã que assomas pela janela. Toma-me no teu seio luminoso, mete-me o fardo ás costas, e prende-me numa puta de prisão doentia durante as próximas 8 horas."

Foda-se, que isto me enoja. Como é que é possivel. Depois ainda há coisas mais bonitas, como por exemplo, não ter nenhuma, mas mesmo nenhuma inspiração para escrever. E isto é sofrivel, caralho. Um gajo raramente tem conversas de jeito onde possa dar a sua opinião e aprender com a dos outros, mas ainda por cima tem de ficar sem ponta de inspiração por onde lhe pegar textualmente. "Ah, escreve algo random.". Pois, boa ideia. O meu mal é que isto não é random, é um desabafo autêntico. É um verdadeiro foda-se à minha vida, que se está a tornar num cumulo do mais engraçado possivel.

Das 8 ás 7, 5 dias por semana, a mesma rotina de merda. As mesmas vivências, as mesmas conversas, os mesmos "Epá, vamos esperar que apareça aqui X ou Y para discutir algo decente.", o mesmo "Foda-se, não tenho nada para fazer." mesmo quando tenho 1001 coisas para avançar.

Bah. Puta que pariu.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Paura

Medo, qual sentimento cruel, e contudo, tão benevolente. A vida encontra-se no pavor que se encontra no interior de cada um. Neste momento, eu temo. Algo lá no interior, sei eu bem de que assunto menciona, assombra o pensamento e corrói a felicidade. Contudo não existe vida se não corroborar no atrevimento. Muitos conservam que uma vida longa e calma é algo bem saboreado, porém lamento mas não partilho de tal tese.

Frequentemente, quase esses todos chegaram a realizar de que a vida fora pobre em experiências enquanto aguardavam na estação da vida, cujo próximo destino é o de todos.. Sendo assim, consideremos se não será boa aposta viver um risco. Como saberemos se estamos realmente vívidos se não desfrutarmos da emoção do perigo? É o factor que salga a vida, a epinefrina, C9H13O3, que contém a instrução para uma vida cheia de fulgor e episódios invulgares.

Obviamente que como todas as drogas (claro, meus amigos leitores, que a adrenalina também é uma droga) quando utilizada num consumo excessivo se pode metamorfosear num descuido. Mas de vez em quando é sempre bom um pouco de caos. Algo que nos possa atormentar a alma e nos faça exclamar: "Muitos contratempos enfrentei enquanto o rio foi correndo, todavia conservei a dignidade, e o rio não secou em vão."

Portanto satisfaço-me. Contento-me com tais dilemas que fantasiam este rio que corre, pois só lhe proporcionam um fluir mais natural.

Aos que censuram todos os que carregam uma vida de extremismo, apenas agradeço a ingenuidade e a ignorância que os tolda, permitindo aos loucos uma vivência mais livre e real.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Afável

Sento-me. A chuva que abraço
Concorre pelas intersecções dos meus dedos.
Talvez não haja pior oportunidade, mas
É desta tristeza que padeço.

Alguém disse, soprou um murmúrio,
Todavia, a maré tinha acalmado.
E rodeado pelo lusco-fusco,
O homem se sentiu toldado.

Triste ficou, algo no fundo permaneceu.
Não graças a algo, mas a ela.
Morreu, e por ali ficou
A haste que suporta la vita bella.

Será hora sem igual?
O mundo é jovem
E os pilares da fé sustentam a felicidade
Com que outros se comovem.

Nada mais, nada menos que a luz
Salva este doloroso sacrifício,
Mas o que não alcança a verdade
Não o é do ofício.

Silêncio! Que ainda a chuva é húmida
E os cantos da alma o corpo já sobrevoam.
Porém com este eterno desejo
Mui alto tais cantos soam.

"Livrem-se!", gritam.
Contudo impressionam cantos
Que na chuva se homogenizam
E na multidão com outros tantos.

Assim se cessa o inevitável.
Aquela que outrora fugiu
Um amor partiu
E a despedida deixou
De forma afável.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Querer e não conseguir.

Um sorriso. Um olhar. Um simples gesto de aparente insignificância. Pequenas coisas a que ninguém dá importância devido à sua banalidade. Para uns não significa nada. Para outros significa muito. Aquele sentimento outra vez. Estás outra vez com um nó na garganta e continuas a achar que agora não é uma boa altura. Nunca é. A insegurança apodera-se de ti. Já não consegues estar atento à conversa. Abres o maço e acendes um cigarro. Começas a pensar nas palavras que dirias, no que aconteceria se não conseguisses mostrar o que sentes. E como sempre, a tua linda mente em vez de ajudar, piora. Isso, continua a pensar no que poderia acontecer em vez de agires. Quanto mais pensas, mais mal te sentes. És uma merda e sabes disso. Quem é que não consegue mostrar o que sente ? Sinceramente, qual é a puta da dificuldade ? Sabes que se o fizeres vais-te sentir melhor e no entanto não o fazes. Porquê ? Desde pequeno que te habituaste a guardar tudo para ti e desde pequeno que te disseram que era pior. Sempre pensaste que sabias o que era melhor para ti e que não precisavas de conselhos. Bem que te fodeste. Agora tens que te aguentar. Sofre. Para aprenderes a não seres teimoso. Voltas a ti. Perguntas de que estão a falar e voltas à conversa. Mas não por muito tempo. Tentas mais uma vez ganhar coragem e pôr a insegurança de parte, mas voltas a pensar. Mais uma vez, não consegues prestar atenção à conversa. Sabes exactamente o que queres dizer mas não consegues. É como se nunca tivesses aprendido a falar. Vais para casa. No caminho a tua mente tortura-te. Sabes bem que o podias ter feito. Que se foda. É amanhã. Amanhã dizes tudo o que sentes. Claro que sim. Tantos foram os amanhãs que já perdeste a noção do tempo. Chegas a casa e só pensas numa coisa: cama. Estás de directa e precisas de dormir. Pena é que a tua mente não tem esses planos e ficas sem sono. Estás a dar em maluco. Precisas de parar de pensar e pegas num livro. Fumas um cigarro. Dois. Três. Olhas pela janela e já está a amanhecer. Sentes-te aborrecido e ligas a televisão. São três da tarde e atinges um nível de consciência mínimo. Dormes. Ao menos enquanto dormes não pensas em nada. Descansa bem que quando acordares vai voltar tudo ao mesmo, por isso aproveita.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Disease

Mais uma vez, terei de falar em vícios. Eu gosto de Marijuana e dos seus derivados, assim como também gosto de álcool. Mas neste momento, estou envolvido num vício muito maior. Este vício é puro. Não traz consequências físicas para o meu corpo, todavia o meu estado psicológico está deveras gasto.

É a droga das drogas. O seu preço é dispendioso, o seu prazer imbatível, e a sua ressaca, um suplício infindável e cruel.

Experimentei-a à dois anos. Foi uma sensação única, pois apesar de já ter experimentado outros compostos do mesmo género, senti-me muito bem desta vez. Bem demais.
Continuei agarrado, sempre sem pensar nas consequências, mas na altura nem me passaram pela cabeça, devido à minha idade.

E então acabou. Quis mais, mais e mais, contudo tinha certezas de que não poderia consumir novamente, e simultâneamente, ser auto-consumido. Desde então foram meses e meses de desespero, desejando intensamente para que me reabilitasse rapidamente. Consegui, venci o vício, mas sempre com um desejo de voltar a repetir.

A verdade é que me supus como seria se voltasse a desfalecer na tragédia, como tudo decorreria ao sentir aquela sensação novamente, crente de que poderia voltar a ressacar.

Mais uma vez, no dia 31 de Dezembro de 2008, passagem para 1 de Janeiro de 2009, foi mais uma dose que repeti. Fiz merda, merda da grande. E agora volto a ressacar por saber que não a poderei experimentar mais.

É horrível. Saber que algo nos faz mal, saber que nos importuna, e porém.. desejá-la à mesma, para sempre. É um vício, e é meu dever sustentá-lo. Mas questiono-me como poderei sustentar algo insustentável.

Sou um drogado e um junkie, sou um agarrado e um toxicodependente, sou um viciado e um fraco.

Espero que um dia me tome a salvação desta mulher que me droga.