quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mais um dia, mais um ano.

Daqui a umas 18 ou 19 horas estaremos em 2009. Resoluções de novo ano ? Pá, sempre posso dizer que vou fazer isto, largar aquilo e moderar no outro. Mas se nem sei como vai ser a puta da passagem de ano como querem que saiba o que vou fazer para o ano ? Pois. Adiante, é nesta altura que toda a gente se lembra das cenas que fez no ano inteiro. É também nesta altura que os políticos mentem, mais uma vez, na cara do povo. Dizem que vão fazer o que prometeram cumprir, mas no fundo todos nós sabemos o que vai acontecer. Nada. Vão apenas ficar sentadinhos a coçar os tomates e a encher os bolsos à pala do zé povinho. Zé povinho este, que manda vir sempre que algo está mal. Mas nunca faz a ponta dum corno para alterar o que está mal. Apontar defeitos é fácil. Mostrar soluções e força de vontade já é mais fodido. Até consigo perceber o ponto de vista dos políticos portugueses. Quem rouba a quem se deixa roubar não é ladrão. Mudando de assunto. Estou um ano mais velho e querem saber o que penso acerca disto ? Acho que quanto mais velho, mais desnorteado. Recebi a excelente notícia que o meu contracto laboral não será renovado no próximo mês. Por um lado foi um alívio, pois a rotina estava-me a matar. Por outro lado foi mau, porque agora tenho que andar à procura de emprego outra vez. Hm. Sempre disse que o ser humano não foi feito para trabalhar. É como o outro disse: "I was born to party but forced to work". E agora está a chegar aquela parte em que não sei mais o que escrever. Não deixa de ser um bom tópico. Mas deve ser uma merda para ler. Que se foda. Vou aborrecer-me para outro lado.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Diário de um homem morto

Heh. Estou a falar sozinho. Parece que atingi o limite da minha loucura, e personifiquei a minha mente. Lindo. Já comecei a narrar e tudo. Bem, toda a esperança está perdida, por isso, vou-te dar o prazer - sim, a ti, mera sombra da minha imaginação, vou-te dar o prazer - de conheceres todos os factos que me trouxeram até este maldito calabouço. Primeiramente, apresento-me a mim. Sei que já me conheces, não sejas tu a encarnação da minha loucura, mas não importa. Chamo-me Verissimo, ou pelo menos, é de como me lembro ser chamado. Também me lembro de me chamarem crápula, traidor, nojento, filho da puta e muitas outras coisas. Mas isso já tu sabias, não é?

Bem, agora que as apresentações estão feitas, estás a ver o que eu vejo ? Provavelmente. Uma sala de pedra escura, infestada de lixo, impestada com um cheiro a vómito e sangue. O único som que ouço, é uma maldita ave lá fora, mesmo ao lado da única janela que aqui há. Aquela janela fechada, por onde entra nada mais que uma fresta de luz. Aquela puta de ave, que canta como que gozando a dicotomia entre nós os dois. Sinto-me furioso, em ebulição.

Tento fugir. Mas como seria óbvio, não estou aqui a falar para mim próprio sem razão. Ouço automaticamente o ruído metalico das correntes que me prendem pelos pés, braços e pescoço, à maldita parede. Sento-me, e encosto-me à parede. Bato levemente com a cabeça na parede, e passando com os dedos, ao de leve, pela nuca, reparo que estou a sangrar.

Foda-se.

Foi da pancada que recebi, quando me meteram inconsciente.

Filhos da puta.

Estou cansado. Tão cansado. Não percebo nada desta merda. E tu, queres saber mais ? Queres respostas ?

...

Fode-te.

Espera como eu. Agora vou dormir. Amanhã pode ser que haja sorte.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Quando só te apetece partir,
Largar tudo e fugir.
Quando só te apetece morrer,
Fechar os olhos e esquecer.
Quando já não sabes o que pensar,
Ninguém te pode ajudar.
Quando bates no fundo e não sabes que fazer,
Vais ao café e começas a beber.
Quando vês mais um copo vazio,
A lucidez está por um fio.
Quando fumas mais um charro para acabar com a dor,
Apenas te sentes pior, invencível e sem pudor.
Quando cais e vês o sangue a pingar,
Pensas que tudo vai acabar.
Quando acordas e reparas que não acabou,
Sentes que o mundo desmoronou.
Quando não te queres levantar,
São horas de ir trabalhar.
Quando pensas que nada pode piorar,
Toda a gente te dá na cabeça, que podes melhorar.
Quando chegas a casa e só te apetece deitar,
Adormecer e nunca acordar.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Merry-Fuckin'-Christmas

Esta época mete nojo. Parece que ninguém reparou que se trata de um tapa-olhos para todos os problemas sociais e económicos deste país. Andam todos felizes, a comprar meias para os familiares nos chineses, como se nada importasse. Então e depois? Depois da passagem de ano, quando todos voltam ao trabalho? Aí começam a ver que talvez não deviam ter dado aquele carro telecomandado ao João, ou aquela boneca que fala à Isabel. Sentem a carteira mais leve, e a falta do dinheiro para problemas realmente graves. Mas o português não se importa, nem nunca se importou. Há-de arranjar algum trabalho extra para recuperar todo o dinheiro que desapareceu entre os brindes e regalos.

Mas e trabalho? Estamos em Portugal, a terra onde ter um emprego é um sonho e um pesadelo. Sonho, pois arranjá-lo é bastante improvável. Pesadelo, pois quem o arranja queixa-se de que não ganha o que merece. Resultado: Falta de dinheiro, falta de trabalho, falta de saúde psicológica, falta de esperança, infelicidade. É nisto que dará o Natal daqui a uns anos, se é que não se está a suceder neste momento.

Depois ainda vêm com merdas como "Paz e amor, época de dar e receber", quando têm conhecimento do confronto que está precisamente a suceder-se neste momento na Grécia, e dos n sem-abrigos que estão por aí sem um pedaço de pão. O Natal é uma época egoísta, apenas ainda ninguém reparou nisso.

"Feliz Natal" o caralho, isto de feliz não tem nada, e de natalício só mesmo a crise.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Silent screams and shattered dreams

Saí do carro, e olharam para mim. Milhares de olhos fitaram a minha postura, a minha pessoa, o meu todo. Viram-me a carne, olharam-me a alma. Um monstro enjaulado, preso por correntes à parede de tijolo que é a vida. Abstraí-me destes pensamentos sem sentido, e senti o frio na pele. Por hoje, o Sol já havia morrido, e a Lua reinava rainha do céu escuro. A passos leves e curtos, ando calmamente pela rua, sendo trespassado por um frio mordaz que me queima a pele. Estupidez, fruto da minha arrogância. Nas ruas desta maldita cidade dos condenados, tudo apesta a morte e dor. Foi naquele bar que dois bandos se reuniram para resolver as suas diferenças, por meios violentos como seria normal. Morreu uma rapariga de 17 anos que nada tinha a ver com o assunto. Foi naquela parede que encostaram e esfaquearam um miúdo. Por um boné e uma nota. Ainda consigo ver a sombra do seu sangue, e acredito na dor dele. Nos últimos momentos, agarrado ao peito. A última lembrança da sua família. Dos seus amigos. De uma vida perdida, pela futilidade do nojo humano. Contenho as lágrimas nos olhos, e absorvo mais raiva. Pensar assim não me faz bem, nunca fez. Odeio isto. Odeio isto tudo, e vou sempre odiar. Já desci uma escadaria, e vejo mais um exemplo da dor. Pobre homem, deitado no chão. Coberto de farrapos, uma perna partida, com um miserável pedaço de cartão onde pedia, pelo amor do seu Deus, para lhe darem uma moeda. Ele viu-me. Estendeu o braço. E eu? Virei-lhe a cara. Reneguei-lhe uma ajuda. Sou um nojo, e isso vê-se. Cheguei ao meu destino. Vejo os meus amigos. Sentados numa mesa de madeira, bebem a largos tragos, fumam a longos bafos. Acolhem-me com um sorriso aquecedor, mas eu continuo a lembrar-me do que vi. Do que senti. Tenho as lágrimas a querer escapar-me pelos olhos, e faço tudo para o impedir. Que diriam eles se me vissem a chorar? Pensariam que sou um fraco. Mas eu não sou fraco. Ou será que sou? Já não sei nada, e nada me interessa. Peço uma cerveja. E lembro-me da moeda que reneguei ao pobre homem, ao lado da escadaria. Eu não sou um homem, caralho. Sou um rato. Bebo uma. Bebo duas. Começaram os múltiplos. Já tenho um cigarro na mão. O bar fechou, e saímos a cambalear. Uns sorriem. Outros choram. E eu. Eu estou no meu canto, de olhos baixos, a amaldiçoar a noite. Subimos a rua. Num cruzamento, separam-se de mim com um aperto de mão. Subo a ponte. Estou a chegar a casa, posso finalmente deitar-me, posso finalmente esconder o meu rosto e ser ninguém. Vejo um cão. Sujo, velho, doente. Tinha uma pata ferida. Tiro as chaves do meu bolso, estou quase a chegar a casa. Ele segue-me, como que me pedindo ajuda. Abro a porta de vidro, e ele fica lá fora, a olhar para mim. Já não aguento mais. Choro, num choro triste e solene. Não aguento mais esta dor. Eu, eles, o mundo. Lixo, nojo completo e imoral. Desço as escadas, e entro em casa. Dizem-me boa noite, perguntam-me se estou bem. Não me digno a responder, e fecho a porta do meu quarto. Puxo dos lençóis acima, e deito-me. Acabou o dia. Antes de adormecer, amaldiçoo o mundo. Amaldiçoo as pessoas. E amaldiçoo-me a mim mesmo, por ser como sou. Não há nada a fazer … mesmo nada a fazer.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Vagabundo.

Não passa de um vagabundo
De olhar triste, lugubre
Que anda a passada lenta pelo mundo
Como se seguisse uma marcha funebre.

Marchando sem sentido ou companhia,
Deita-se no chão frio da calçada.
Sente na pele o riso gélido de quem se ria
Daquele que agora é uma alma penada.

Simplesmente nada interessa
Seja nome, sexo ou idade.
O vagabundo não passa de uma perdida peça
Desta distópica sociedade.

Enquanto sofre, sozinho, vagueando pelas ruas,
Afoga o seu tormento na bebida.
Olha para as suas mãos, gretadas e nuas
Chorando a sua juventude perdida.

E depois de tanto sofrer
De tanta mágoa e dor dispar
Dorme o seu último sono, sem saber
Que nunca mais iria acordar ...

Quem fará pelo vagabundo justiça ?
Quem chorará o seu partir ?
Rezar por ele uma última missa
Significaria tanto como mentir.

Enterrado agora, sem nome ou rosto
Aquela pobre alma perdida
Sente na morte, o mesmo desgosto
Que sentiu durante toda a sua vida.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Olhos

Sempre me disseram que quando olhamos para os olhos de alguém, vemos reflectido neles a alma dessa pessoa. E também que, quando uma pessoa mente, todo o corpo sem rende a essa mentira. Menos os olhos. Os olhos não mentem. Desde que nascemos, os nossos olhos têm sido os nossos guias. Tirando os cegos. Mas mesmo assim, há cegos menos cegos que certos "não-cegos". Nos olhos ficam gravados os acontecimentos das nossas vidas. Neles podemos ver as felicidades do mundo, as infelicidades do mundo, as felicidades dos outros e as infelicidades dos outros. E as nossas felicidades e infelicidades ? Bem, essas não ficam gravadas nos olhos, mas sim na alma. Por muito bem que um sorriso possa mentir, os olhos apenas mostram o desespero, a infelicidade que vai na alma. E quando os olhos choram ? Nessas alturas há apenas três hipóteses. A primeira, é quando as lágrimas são derramadas devido à felicidade, à alegria. A segunda é quando o medo, a angústia, a infelicidade se apoderam da alma. E a terceira ? A terceira hipótese é a pior, a mais mesquinha e insensível coisa que uma pessoa pode fazer aos seus olhos. E que coisa é essa ? É quando uma pessoa obriga os seus olhos chorarem lágrimas de interesse. E o que são essas lágrimas de interesse ? São as lágrimas que saem de um choro não sincero. São lágrimas com segundas intenções.

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."

domingo, 12 de outubro de 2008

Bem e Mal

"Há uma velha ilusão que se chama Bem e Mal. Foi em torno de adivinhos e de astrólogos que girou, até hoje, a roda dessa ilusão.
Outrora, acreditava-se em adivinhos e astrólogos, e, por isso, acreditava-se que "tudo é destino: deves, porque tens que!".
Depois, passou-se a desconfiar de todos os adivinhos e astrólogos, e, por isso, acreditou-se que "tudo é liberdade: podes, porque queres!".
Ó meus irmãos, quanto aos astros e ao futuro, até agora, só tem havido ilusão e não saber; e é por isso que, quanto ao Bem e ao Mal, até agora, só tem havido ilusão e não saber!".

Dá que pensar, huh ?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Passado. Presente. Futuro.

A vida ensinou-me que não devo olhar o Futuro. Pois se olhar para o Futuro terei medo dele. A vida ensinou-me que não devo olhar o Passado. Apenas devo olhar o Passado se precisar de uma lição. A vida ensinou-me a olhar apenas o Presente. Pois se me concentrar apenas no presente serei feliz. "Enquanto estou a comer, não faço nada além de comer. Se estiver a caminhar, apenas caminharei. Se tiver que lutar, será um dia tão bom para morrer como qualquer outro. Porque não vivo nem no meu passado, nem no meu futuro.".

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pensar é grátis

Será que a nossa geração sabe que pensar é grátis ? Acho que não. Ou então sabem e estão-se a cagar. Para eles, quem pára um pouco para reflectir não é da cena. "Pensar ? O que é isso, uma nova bebida alcoólica ?", "Será uma nova marca de roupa ?", "É uma banda nova, falaram disso na TV". Isto é o que eu acho que lhes vem à cabeça quando ouvem falar em pensar. Ou isso ou agem por instinto. Um instinto de merda, diga-se de passagem. E a TV não ajuda. Os canais portugueses são a merda que são: ou levas com novelas o dia todo ou levas com futebol. O resto dos canais não fogem à regra. E ninguém me tira da cabeça que a estática é a melhor novela de sempre. Por falar em futebol. Quem é que tem tempo para pensar com o campeonato nacional, a liga de honra, a liga milionária e a puta que os pariu, mesmo a começar ? Ninguém, pois claro. E depois ainda têm a lata de usar o termo liberdade para defesa deles: "Eu sou livre, faço o que quero!". Pois é, pensar é mesmo grátis e nunca fez mal a ninguém. Tal como alguém disse no passado: "Não devemos ser escravos de um padrão, de uma época, de um costume. Aprendendo a pensar por nós mesmos, experimentamos a liberdade.".

Desejo

Certa vez alguém escreveu: "Essencialmente ama-se os próprios desejos e não aquilo que é desejado.".
As pessoas vêm na TV, na rua, em revistas, jornais, etc. publicidades sobre tudo e sobre nada e ficam com desejos. Quero comprar isto, quero comprar aquilo. Mas quando finalmente têm aquilo que tanto desejaram, tem que aparecer algo para substituir o "vazio". Tem que haver sempre algo para que a pessoa siga em frente. Um desejo. Na realidade ninguém quer o que tanto desejaram durante tempos e tempos. Querem apenas o desejo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

I ain't had enough

Parece que não. Parece que não mereço já o suficiente pelo que passei. Hoje venho aqui ter pena de mim próprio, rotulem-me de emo, rotulem-me de maricas, rotulem-me de coitadinho, rotulem-me como a puta que o pariu. Eu não quero saber. Hoje em dia é mais seguro uma pessoa desabafar com o ecrã e com o teclado do que com as pessoas em si. Este é o meu fail-safe place. Aqui eu falo, perante a minha anonaminidade, como e quando bem me apetecer. Ninguém me diz o que fazer ou o que não fazer, ninguém me diz se tenho ou deixo de ter razão. Eu é que sei pelo que já passei. Eu é que sofro.

Mais uma vez volto a bater na mesma puta de tecla. As pessoas são merda, e eu sou o idiota que se deixa impressionar por isso. Eu sou o paspalho, deficiente, trissómico vinte e um que se deixa surpreender com coisas que já deveria ter aprendido. Confiança? Desde quando é que isso existe? Lealdade? Sim, mais uma utopia.

Talvez exista. Talvez seja eu que escolho mal com quem me dar. Agora apunhalarem-me por trás é que não. Quando é que um amigo faz isso? Quando caralho?

O pior de tudo, é que todos os dias da minha putice de vida me tento mentalizar que todos são merda, e todos merda sempre serão. Quero fazê-lo, quero ignorar a sociedade que me diz o que é ético e moral, quero desprezar todos e odiar todos. Mas não consigo, pois os meus genes impedem-me. Sou simpático por natureza, e isso faz com que perdoe os que não têm perdão, e que desculpe os que não têm salvação. Um dia gostaria de descobrir quão fodido consigo ficar antes de enfiar a cana do nariz até ao encefalo de alguém. Mas nunca o irei descobrir, seria algo contra as minhas leis. Talvez seja esse o problema, a puta da distinção entre o bem e o mal. Que se foda esta merda toda, prefiro morrer a dar-me com gente arrogante.

Só me resta esperançar uma coisa: que saia daqui e nunca mais tenha de me deparar com os idiotas.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Um animal

Acordei cedo, esta manhã. Enquanto repousava na cama, a saborear os últimos minutos de paz que teria neste dia vindouro, olho pela janela e vejo um Sol reluzente no horizonte. Sorrio maldosamente. Levanto-me num salto, e sinto-me nauseado. Todo o alcool que bebi na noite anterior estava agora a ser queimado no meu organismo. Mas sorrio sempre.

Entro dentro da casa de banho, e encosto-me ao lavatório. Vejo-me reflectido no espelho, e vejo a casca de carne que continuo a usar desde que nasci. Moreno. Constituição normal, mas a tornar-se forte. Olhos castanhos comuns, mas mordazes. E é aí, nesse momento, em que começa o dia. Em que desperta a onda de sentimento, em que desperta o mais profundo da minha alma.

É nesse momento em que ele toma controlo, que me sinto livre. O verdadeiro eu.

Já estou vestido. Casaco de cabedal aos ombros, oculos na cara. Saio de casa, e meto-me num autocarro. As pessoas olham para mim como se fosse d'outro mundo. E eu ? Sorrio. Aqueles olhares petulantes, vindos de pessoas que estão tão abaixo de mim na cadeia alimentar ... são lixo.

Saio do veículo, e entro na minha escola. E o sorriso apodera-se da minha cara novamente. As pessoas que vejo, tristes e decadentes dentro das suas próprias prisões. Eu já superei isso à demasiado tempo. Aprendi a viver com ele. E neste momento, sinto-me feliz por isso.

Voltam a olhar-me ... mas quem devolve o olhar, é o animal. Aquela percepção de sentimento, aquele ódio miudinho que me percorre o sangue. E eu controlo-me. Simplesmente guardo o que tenho a fazer a sete chaves. Apenas temo, o dia em que quiser soltar tudo o que me atormenta.

Depois de muito me rir da decadência e podridão de outros, volto para casa. Ando uma boa meia hora, nunca paro. Queimar esta adrenalina toda é uma benção. Chego ao ponto de partida novamente, e faço exercicio para me cansar. Mas na realidade, tudo o que faço, é para o cansar a ele. Ele é que me ajuda. Ele merece o seu descanso.

Deito-me, exausto. O meu condenado corpo pode respirar calmamente novamente. E o animal descansa, esperando um novo dia ...

domingo, 14 de setembro de 2008

The Red Pill

Não sei sobre o que escrever hoje.. apenas vou divagar um pouco.

Música, a verdadeira alegria do homem. "Quem canta seus males espanta", lá diz o provérbio brasileiro, que é bem verdadeiro. Quantas vezes não se sentiu um ser-humano nos confins da sua felicidade e caiu na magia que é a música? Seja qual for o seu género preferido, um indivíduo tem uma para cada ocasião e humor. Existem músicas para se chorar, para se rir, para se dançar, para encantar e para desencantar. Ninguém passa sem a Música, se passa, então é porque não sabe como se sentir melhor quando precisa de algo para se completar. É isso que a música nos faz: realiza-nos, expressa-nos. A música fala a linguagem que o ser-humano melhor interpreta. A música é um ritual, um convívio, uma diversão e uma arte. É uma doença e uma cura, uma droga e um vício. No fim, a música é tudo. A música tem o poder de unir, destruir e reunir. Basta saber usá-la correctamente, assim como todas as invenções do Homem.

Talvez falte a muito boa gente um pézinho de dança ou uma hora com um iPod na mão.

Façam isso. Viciem-se na Música, um elemento bem mais real que um deus ou uma divindade superior.

Turbilhão

Preciso de um sinal. A sério. Preciso de um condenado sinal. Há tanto na vida de um homem, e até a um certo ponto, ele precisa de um sinal. De uma puta de luz no final do corredor, de conhecer o calor da finalidade. Eu, neste preciso momento, nesta altura da minha vida, preciso de saber. Não estou a pedir que me mostrem o final. Não estou a pedir que me contem o futuro. Quero apenas saber que estou cá, e que vou continuar cá por alguma puta de razão. Porque, digam-me, que é o homem sem um sentido de utilidade ? Que é um homem, sem o sentimento de finalidade ?

Eu estou praticamente à beira das lágrimas. Começo a pensar, e não sei o que escrever. O turbilhão na minha mente, na minha alma, na minha merda de ser, atormenta-me a carne e sangue. Um homem pensa, e quer finalidade. E quando se olha ao espelho, e vê que não passa de uma máquina sentimental, cujo mero propósito é o ódio, o amor, não se sente completo. Eu não me sinto completo. Não consigo. Não me consigo olhar ao espelho, e dizer " Estás cá por uma razão. Estás cá com um sentido. "

No final do dia, depois de me enternecer, depois de estar com amigos, depois de amar ou ser amado, vejo que o meu propósito continua a ser o mesmo. Nulo.

E nesse mesmo momento, o meu sangue ferve, e o ódio toma conta da fraca carne. No final do dia, sou o animal que sempre fui, e quando acordo novamente ...

... uso a mesma carapaça falsa que sempre usei. Mas o rancor mental continua cá ... e o meu ódio continua a florescer.

Finalidade ... dái-me uma.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um pouco de mim

Não tenho bandeira, nem hino.
Não tenho estado, nem ídolos.
Não tenho exercito, nem pátria.
Não tenho cor, nem raça.
Não tenho deus, nem amo.
Não tenho nação, mas tenho coração.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Pensar

Com o texto do meu amigo fiquei a pensar. E pensei. Pensei. E cheguei a uma conclusão: ando a pensar demais. Passo os meus dias a pensar, as noites a pensar. Posso estar a ter uma conversa animada com alguém ou apenas estar na tasca com o pessoal, mas o pensar está lá. Penso de tudo um pouco.
Vejo e revejo pequenos pensamentos que parecem curtas-metragens na minha cabeça. Vejo-me em pequeno, sem preocupações. Sem me importar com nada. Sem pensar. Era ignorante em certos assuntos.
E eu hoje penso: e se a minha mente voltasse uns anos atrás e fosse de novo ignorante, sem me preocupar com nada, sem pensar ? Seria melhor, seria pior ? Não faço puta de ideia. Por um lado acho que não ter problemas seria bom. Mas por outro lado acho que gosto muito de pensar. Embora o facto de gostar tanto de pensar me deixe mal umas vezes.
Já estou a divagar no meu pensamento outra vez. A merda é o divagar. Parece que já não me consigo concentrar ou o caralho.
Adiante, reparei numas coisas interessantes no meu metabolismo idiota. Quando fumo e quando bebo em demasia o meu pensamento cria um mundo só meu, à volta da minha figura. Ninguém o consegue ver. É meu, só meu. É o único mundo em que me sinto realmente bem. Ou mal, dependendo do estado de espírito ou do avanço do álcool no sangue.
Já estou a ver que vou recomeçar a divagar.
Vou fumar um cigarrinho à varanda e pensar na vida.
Pensar na morte.
Pensar em tudo.
Pensar em nada.
Pensar no nada.
Pensar por gostar.
Apenas pensar por pensar.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Desvanecimento.

Os olhos pesam-me, tenho a mente entorpecida do último charro que fumei. Quem me dera voltar à infância. Quem me dera voltar à pura inocência dos 6 anos. São tudo águas passadas, eu sucumbo sem elas. Ainda me lembro de como a minha principal preocupação há uma década atrás era apenas um simples exercício de matemática. Lembro-me de sair da escola, esquecer os exercícios e ir jogar futebol... todos os dias.

Mas eu era feliz assim. Nunca me tive muito com que me preocupar.

Tenho de dormir... mergulhar nos sonhos novamente e morrer com esta nostalgia que há muito se perdeu.

sábado, 16 de agosto de 2008

E se ele gostasse muito de morrer ?

- Olha, o coiso suicidou-se. Atirou-se do cimo de um prédio.
- Então porquê ?
- Ao que parece andava com problemas, depressão e tal. Gajo estúpido, digo eu.
- Ah sim ? E se ele gostasse muito de morrer ?
- Pessoas que põe termo à vida são pessoas que não têm tomates para enfrentar os problemas de frente.
- Tudo bem. Mas e se ele gostasse muito de morrer ?
- ...

sábado, 9 de agosto de 2008

AMESAD

O que nos leva a pensar que podemos confiar em alguém? O que faz com que nos agarremos tanto às pessoas, e depois levemos com as suas imundas botas? Nos dias correntes, em cada livro que leio, em cada filme que observo, em cada página que navego, em cada pessoa que analiso, cada vez mais me apercebo de um ridículo pormenor: Não existe compaixão neste mundo. O conceito de "amigo" está muito aquém do que os humanos, perdão, os idiotas, pensam. Se alguém questionasse a um indivíduo "Quantos amigos tem?", certamente este iria responder "Uns quatro ou cinco".

São tretas. São coisas que nos metem na cabeça. A amizade neste mundo é nula. Tudo o que vocês vêm na televisão são mentiras. "Sim, eu tenho alguns amigos", eu cá não acredito. Quantas vezes não cheguei eu ao café e todos se cessaram? Quantas vezes não ouvi já "E por falar no diabo.." de uma forma meio-segredada, meio-amedrontada? Quantas vezes não observei aquele grupo que me olha de uma forma desprezível? Quantas vezes? Nenhuma, pois acontece-me em todos dias deste corpo.

Mas eu questiono-me. Questiono-me profundamente. "Afinal, quem é o idiota? Serão eles? ...ou serei eu?". Afirmo-o com toda a dignidade e orgulho, sou eu o idiota. EU sou o palhaço com o qual eles gozam. EU sou a aberração do Zoológico. Eu. E mais ninguém.

"Mas porquê?", questionam-se vocês. "Apenas e simplesmente porque ganhei um amor, o amor por todos.", digo-vos. Eu amo de tal maneira este mundo que tenciono contactar e manter relações com tudo e todos. Mas este mundo rejeita-me. Este mundo diz-me "Não quero a tua compaixão. Não quero a tua bondade. Não quero a tua amizade. Apenas quero que te fodas".

E eu sinto-me isolado. Sinto-me sem ninguém. No final do espectáculo, o palhaço chora. O palhaço arrasta-se pelo chão gritando e uivando por alguém que o ame a ele.

Nunca apareceu ninguém que o amasse. Até que um dia, o palhaço parou e meditou. Ele não tem culpa. Ele nunca pediu por amar todos. Então os idiotas são os culpados. O palhaço levanta-se e rejeita tudo e todos. O palhaço odeia os idiotas que se sentam no circo da vida. O palhaço odeia todos os que o humilharam, e o seu amor converte-se em ódio.

O palhaço descobriu uma arma mais poderosa que um gatilho, uma arma mais resistente que titânio. O ódio. O palhaço certamente morreu, mas com ele nasceu um novo homem. Um homem sem falhas. Um homem que não ama, e um homem que não ama, é um homem que não possui fraquezas. Mas no entanto, um homem é um idiota. E tudo recomeça.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Epifania.

Já lá vai algum tempo desde a minha última "peça" neste condenado blog.

Fiz ontem os meus 18 anos, e com eles, não adquiri sabedoria alguma, nada de jeito. A idade não me fez nada, aliás, nunca mo fez, por isso não seria ao fazer 18 anos que melhoraria algo.

No entanto ... tenho direito ás minhas epifanias, se assim lhes posso chamar. Tenho direito a poder sentar-me no meu quarto, banhado apenas pela luz difusa das estrelas e da Lua, luz essa que entra suavemente pelas pequenas frestas da minha janela. Sinto a escuridão da noite a banhar-me, consigo senti-la na pele, é-me tangivel. Ouço alguns ruídos, tento não me desconcentrar ao ouvir os roncos mórbidos que me são transmitidos pelas finas paredes deste prédio, ou o leve ruído que provém da televisão, que ainda está ligada na sala.

Tento não me distrair ... e não o faço. Sou uno comigo mesmo, pelo menos uma vez neste dia, era necessário.

Sempre disse a muita gente " Há máscaras em todos nós, sempre houveram, sempre haverão. " Somos condicionados por tudo o que nos rodeia, sempre. E eu, por uma vez na vida, estou farto. Estou farto de não ser eu, de ter uma máscara, de ser apenas mais um. Nada muda para aqueles que vivem a sua vida indolentemente. Nada ... a não ser que estes olhem para trás, e vejam como querem viver no futuro.

Enfim ... voltando ao tópico. Hoje senti necessidade de coordenar corpo e mente num só, e pensar. Relaxar completamente, deixar tudo para trás. Nada interessa. E tomei várias conclusões com esta sessão de pensamento.

Vou deixar de procurar algo que muita gente procura, ou seja, o seu par perfeito. Tal coisa, simplesmente não existe. Vou-me relegar à minha existência solitária, ao meu manto de ser alguém incapaz de mudar ao ponto de se rebaixar a uma relação. Sozinho estou, sozinho estarei. Pelo menos assim assim, serei sempre eu.

Vou limpar o sorriso que tenho na cara, de vez, completamente. A vida é para ser tomada levemente ? Nada mais hilariante. A vida é para ser tomada com uma cara séria, e um olhar de águia atento, sempre à espera de algum acontecimento que possa mudar algo, e tomar novas consequências nas nossas vidas.

Vou deixar de ter piedade por todos, é agora apenas um privilégio de quem o merece. O resto recebe uma nota de cinismo pura, é a vida, é o que merecem.

Vou deixar de pensar na felicidade dos outros, ou até de me alegrar por eles. É um mundo cão, temos de ter consciência que com a felicidade de alguém, advém a infelicidade de outrém. Pensando assim, sempre é melhor a pessoa feliz ser eu do que o outro.

E um dos pensamentos mais importantes de todos : vou deixar de mostrar potêncial, vou rebaixar-me ao quociente intelectual da futilidade, e vou fingir viver uma vida estúpida. Assim sendo, terei o prazer completo de me poder insurgir um dia para "explodir" literalmente na cara de alguém, quando o ego destes estiver a colapsar.

Penso que me resumo a isto, sinceramente. Podem dizer o que quiserem, e sim, sou egoísta até dizer chega, sou, no melhor dos sentidos, um filho da puta impertinente, que já despreza quase tudo o que se mova. Mas sou humano, e não vos peço que me ouçam ou que me respeitem. Vivam a vossa vida, e façam-no bem. Simplesmente não me venham foder a minha.

Ponto final.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Paisagem

Eu sempre gostei da vida. Sempre achei que é um bom pedaço de tempo em que passamos certas e determinadas aventuras. Boas aventuras, e más aventuras... Sempre tentei sorrir e esquecer os problemas, mas existem alturas em que tal acção não é possível. Problema, como descrito na Wikipédia, é "uma dificuldade na obtenção de um determinado objectivo". Resumidamente, o meu objectivo neste momento é ser feliz, nada mais.

Mas e quando não se pode ser feliz? Lamentamo-nos e choramos os nossos erros. Refugiamo-nos em algo maior à procura de algo que nos diga "não foi culpa tua", pois o Ser Humano não admite nada. Contudo, e muito em quando, sabemos que a culpa não foi nossa, não criámos aquela situação. Quantas vezes não desejámos ter tomado outro caminho? Quantas vezes não desejámos não ter exposto o nosso orgulho? Quantas vezes não desejámos voltar ao Passado? É a mancha do Indivíduo, o Passado. As nossas acções, quer presentes, quer futuras, dependem das nossas acções do passado.

E agora presentemente, sinto-me na minha qualidade de pessoa. Pois quando se tem medo, tudo nos parece mais claro. A comida sabe-nos melhor, a água fica mais fresca do que nunca, e vemos quem são os nossos amigos. Aí, sentimos o arrependimento profundo e a adrenalina a fluir no nosso sangue. Não sabemos quem espreita, não sabemos quem espia. Não há volta a dar. O mal está feito e temos de enfrentar o nosso destino, quer seja esse a Dor, ou a Morte. Nunca achei que admitir o medo fosse uma vergonha, aliás, nunca achei que qualquer acto fosse alguma vergonha. Mas não há liberdade, não há respeito, não há paz e não há segurança.

"Mas como se é feliz?" é a pergunta que nos colocamos. A resposta é simples: somente sendo cego, surdo, mudo e paraplégico simultâneamente. Se formos surdos, não ouvimos o que não nos compete. Se formos cegos, não vemos o que não devemos. Se formos mudos, não falamos do que não é connosco. E se formos paraplégicos, não mexemos no que não nos pertence.

Mas eu sempre gostei da Vida, e aí, eu não minto.

A ouvir: When I Die - GG Allin

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Esta é para ti.

Olá Deus. Pensei em ti quando escrevia esta mensagem ...

Ah, espera ! O teu nome está errado ? A quem devo remeter estas palavras ? Deus, Zeus, Buda, algum deles te serve ? Não interessa ... aliás, tu não me interessas. Sou gajo de gostar de ficção, mas fodasse, gosto de ficção moderna. Pergaminhos e livros santos ? Faço mortalhas dessa merda, e sabem-me ainda melhor que as normais.

Nada melhor que fumar um salmo ao fim de semana, não achas ? Seguido do corpo e sangue de Cristo ... pequeno almoço de campeões.

Ok, vou deixar de tentar ter piada. Aliás, este texto tem tudo, menos piada.

Acordei no outro dia, olhei-me ao espelho e pensei " Fodasse António, que sentido é que fazes ? " Achei hilariante. Eu, a perguntar-me a mim próprio uma questão que ninguém consegue responder. Do nada, sem sequer pensar, respondo " Nenhum. ". Fiquei atónito. Quis responder, respondi. Força de vontade, realidade, não interessa. Respondi a mim mesmo, e toda a gente sabe, a nossa consciência dita os nossos actos. A partir daí, comecei a reger-me por esse facto.

Não há sentido na minha pessoa. Ao inicio, como tenho um pequeno restinho de fé em mim, pensei " Só posso estar errado. ". Pois é, havia aquele restinho de fé. Havia.

Vocês sabem, aquele restinho pequeno. Aquele resto que fala quando queremos algo com imensa vontade, aquele resto que deseja. Aquele pequeno pedaço de desejo que nos faz acreditar que tudo pode vir a ser melhor.

Morreu. O meu ? Morreu.

Morreu no dia em que vejo um pobre velho a andar as ruas desamparado, sem ninguém para o ajudar, morreu no dia em que vejo uma pobre mulher numa cadeira de rodas a atravessar a rua pela passadeira, e os carros aceleram numa pressa, morreu quando vi um miudo ser atacado por um bando, morreu quando vi inocentes a ser atacados pelas tropas, morreu.

Morreu quando vi um amigo a aproveitar-se da dor de outro, quando vi um amigo trair outro, quando vi um amigo chatear-se com outro por futebol, mulheres ou dinheiro.

Morreu quando menti, morreu quando chorei, morreu quando professei o meu amor pela pessoa errada. E morre agora, enquanto expresso o meu ódio, eterno e incondicional, pela crença de que tudo pode melhorar.

De que o Mundo pode melhorar, de que o poder da crença nos vai ajudar, de que existe gente boa por aí.

Mentiras. Vejo fatos de seda pura e bordados a ouro, capelas e campanários, igrejas e catedrais, e povo a morrer à fome, povo a sofrer. Vejo a chama da ganância no simbolo da cruz, e rio-me, como sempre fiz. Posso não fazer diferença hoje, mas alguém o fará.

Hoje, estou aqui, sentado. Não me farto de dizer que sou odioso, e que o que me corre nas veias, é a maldade pura do meu coração. Mas isso, é apenas uma caracteristica minima, porque eu ...

Eu tenho os olhos abertos. À anos, por acaso. Desde que senti algo novo na minha vida, um ódio louco.

Por isso, trago-vos uma ideia. Dizem que quando somos pequenos, somos feitos de inocência pura, quando vemos o Sol e ele é brilhante, quando vemos Azul e é bonito. Uma bolha de felicidade enorme.

Vamos rebentá-la o mais cedo possivel, e abrir os olhos o mais cedo possivel à nova geração. 
Pode ser que eles, consigam continuar e acabar as nossas ideias ...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Nostalgia.

A Honra é defender uma causa que sabemos que vamos perder.
A Honra é honestidade para com os outros.
A Honra é dignidade para connosco mesmos.
A Honra é senso comum.
A Honra é justiça justa.
A Honra é sinceridade.
A Honra é não mentir.
A Honra é humildade.
A Honra é coragem.

Só que a Honra morreu, porque a Honra não é orgulho.

Ousar Tentar

Olho sempre para a frente, tento andar mais depressa
O meu objectivo é fugir, nada mais me interessa
Ando, corro, nunca páro de acelerar
Digo para mim mesmo, que nada me à de parar.

O objectivo é fútil, nulo, despropositado
Para onde vou, não preciso de ter uma razão ao meu lado
Para me apetecer correr, meter os pés à estrada
Pronto para desaparecer, uma ultima caminhada.

Seja meia-noite, seja meio-dia
Desaparecer era a única coisa que eu queria
Mas todos os dias sou lixado pelo minha sorte
Que me suspira ao ouvido, " Fugir ? Antes a morte ! ".

O Sol vai alto, é hora de correr
Estou-me bem fodendo para o amanhecer
Visto o casaco, fecho a porta com toda a minha força
Hoje, não há força alguma que me páre, que me torça.

Ouço vozes, confusão, um imenso alarido
Estão atrás de mim, tenho de me sentir fodido
As oportunidades são muitas, mas é dificil a vitória
Já tentei fugir antes, e tenho toda essa memória.

Mas hoje não quero saber, a situação é diferente
Venham eles ! Levo tudo à minha frente !
O Sol queima-me, a pele rasga-se no chão
Deixo para trás alma, lágrimas e coração.

A merda ficou para trás, hoje consegui
De todos os males e demónios, hoje fugi
Queriam segurar-me, dizer-me como pensar
Pensavam-me um boneco, algo para manipular.

Uma alma viva, um renegado
Alguém a quem todos, olham de lado.
Já não quero saber, consegui-me aguentar
A única coisa que precisei ...
Foi Ousar Tentar.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mundo passado mundo presente.

Mas o que aconteceu afinal em todos os países, com todos os homens, todos os dias ?
Quem, só de ouvir contar, sem o ter visto, acreditaria que um único homem tenha logrado esmagar cem mil cidades, privando-as da liberdade ?
Se tais casos acontecessem apenas em países remotos e outros no-los contassem, quem não diria que era tudo invenção ?
Ora o mais espantoso é sabermos que nem sequer é preciso combater esse tirano, não é preciso defendermo-nos dele.
Ele será destruído no dia em que o país se recuse a servi-lo.
Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma.
Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio.
São, pois, os povos que se deixam oprimir, que tudo fazem para serem esmagados, pois deixariam de o ser no dia em que deixassem de servir.
É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios.

Que mais é preciso para possuir a liberdade do que simplesmente desejá-la ?

Fúria

Hoje acordo e deparo-me com uma revolta inabalável contra tudo o que conheço e desconheço. Simultâneamente, senti uma decepção decadente com a vida, reparei que todas as acções que cometemos coincidem num único destino: morte.

Mas então, o que fazer? Deixar-mo-nos ser pisados pelos ratos? Esperar que os outros nos ultrapassem e dormir debaixo da ponte? Lutar? A vida poderá ser o que se faz da vida, mas nada importa, pois todos estamos destinados ao mesmo fim. Podemos libertar o maior esforço que nunca seremos nada.

Num mundo de posers e maricas amestrados onde não existem revoluções para controlar o mal maior, nada importa. Enquanto se é cordeiro, não se pode combater os lobos, pois eles tiram-nos tudo. Comem-nos. Como dizia o Padre António Vieira, "Ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra".

Então de quem se tratam os lobos? Tratam-se de todos os indivíduos inteligentes que com muita corrupção e injustiça, chegaram ao topo, salvaram a sua pele e esqueceram tudo e todos, sendo a sua pessoa o único objecto digno de adoração e oferendas.

Hum.. injustiça. Que palavra tão peculiar. Deveria ser a primeira matéria ensinada enquanto os cordeiros são pequenos, "A vida é injusta". Pessoalmente, adoro a maneira de como o pequeno cordeiro está tão despreocupado com a vida, e nem sabe o que lhe espera. Não digo que não seja pessimista, mas aconselho todos a meditar profundamente acerca do ultimo momento feliz que tiveram, quão bom foi e há quanto tempo se passou.. Ou será que a felicidade não existe, sendo simplesmente um estado neutro de paz? A maioria dos indivíduos não repararam em como eram felizes enquanto isentos de preocupações.

E isento de preocupações eu não estou, pois tenho de me preocupar com o meu futuro que certamente será o mesmo de todos.

A ouvir: Mungo Jerry - Too Fast To live, Too Young To Die

Lutar por tudo e por nada.

Hoje não estou filosófico. Não vou escrever sobre teor de vida, sobre decisões,
sobre fé ou sobre politica.

Volto a iniciar um texto de forma comum e compreensível. Sentado, repousado e relaxado numa cadeira do mais comum possivel, a beber mais uma garrafa de àgua, gelada, que me volta a lesar a garganta mais uma vez. Tenho uma música épica a encher-me os tímpanos, com uma guitarra limpa e vozes guturais, Ready For Salvation.

Digo a todos os que lerem esta mensagem para terem ideias fixas. Para lutar pelo que sabem correcto, para lutarem porque sim. Para lutarem pelo vosso lugar na sociedade, para lutarem pelos direitos que vos são devidos.

Vamos lutar porque nos apetece, vamos inventar um sentimento nosso que nos defina, vamos marchar pelas ruas e lutar. Vamos lutar contra a tirania, vamos lutar contra a bondade, vamos lutar contra os fortes e grandes, contra os fracos e pequenos.

Vamos limpar a nossa mente de diferença, todos são iguais quando lutamos. Que não haja discriminação, vamos levar em frente a nossa luta, vamos levar em frente quem se nos opõe.

Falo para todos os credos e ideologias, políticas e afins. Vamos lutar pelos nossos ideais, pelo que acreditamos. Não me interessa se és Nazi ou Anti-Nazi, Cristão ou Satânico, Preto ou Branco.

Vamos lutar, e honrar o nosso nome, mesmo que todos pensem que estamos errados. Porque de tudo o que existe neste mundo, o mais certo e inequivoco, é o sentimento de luta.

Todos lutamos por algo, todos lutaremos por algo. É algo que é definido pela nossa Natureza, e é algo que acalentamos na nossa alma, no nosso corpo, no nosso ser total.

Porque a luta está em nós, e se algo nos define, é o porquê de lutarmos ...

Vamos fazer da nossa vida uma luta ... até sabermos que a razão pela qual lutamos, fez sentido ...

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Longe.

Completamente longe de mim. Completamente longe de ser o que fui. De ser o fraco que fui. De ser a merda que fui. De ser a desgraça que fui. De ser o pobre que fui. De ser o fraco de espirito, o fraco de coração, o fraco de mente ... que fui.

Neste momento, evoluí. Sinto-me melhor, maior. Sinto-me a arder de potencial. Sinto a minha própria presença no espaço que ocupo, e naqueles que me rodeiam. Sinto alma, sangue e carne juntas no máximo expoente da minha pessoa. Mas mesmo assim ...

Falta algo. Algo que preciso. Algo que me é de máxima importância, pois sem ele, não sou um Homem completo. Por muito bem que me sinta, há sempre aquela sensação no ar, que me rói e destrói por dentro.

Diria ódio, mas estaria errado. Sou um ser composto da mais pura raiva, que foi a razão da minha sobrevivência durante estes anos. Embora calmo como sempre, a minha alma está enegrecida por anos de má experiência neste ramo.

A razão é simples. Não sou um ser solitário. E neste momento, não podia estar mais só, na razão devida, é claro ... os meus amigos são o melhor que tenho na vida. Só no meio dos meus iguais, é que consigo atingir o verdadeiro grau de iluminação pura de mente. São e foram, no melhor termo, a minha salvação ...

Mas mesmo assim ... falta algo.

E não posso deixar de me sentir ...

vazio.

Pequena analogia.

A tirania é como o fogo, quanto mais lenha lhe deitamos mais ele cresce. Mas, se deixarmos de lhe deitar lenha, ele consome-se a si próprio, perde a forma e deixa de ser fogo.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Pensamentos ...

Mais afiado que uma lâmina, o Pensamento.

Mais forte que um Colosso, o Ódio.

Mais verdadeiro do que o nascer do Sol, a Emoção.

Na mais vera das verdades, não escrevo para agradar a ninguém. Escrevo, porque só conheço duas maneiras de me expressar devidamente. Fala ou escrita. Um sorriso não diz nada a ninguém, e pode significar falsidade. Um olhar é de uma insignificância terrivel. Só deste modo ao qual me dirijo a vocês (ou quiçá até a mim próprio), é que me consigo expressar correctamente.

Hoje, digo apenas uma coisa bastante simples. A Ignorância não pode ser usada como desculpa para os actos terriveis que se vêem todos os dias. As pessoas têm de tomar a sério o que fazem, e saber que no final, seja qual for a escolha que tomaram, terão de sentir as repercussões na pele.

Não se pode esperar pelo amanhã, ou sentir pena. Não se pode esperar por um Anjo da Guarda, ou pelo Salvador. Temos de recorrer a nós mesmos, para nos safarmos das coisas que fazemos. E se estas forem graves, de modo ao que em só nós recái culpa ... temos de saber levantar-nos, e arder lentamente nos fogos que atiçamos.

Porque no fim ... a culpa é apenas nossa.

Porquê ?

Nojo. Revolta. Incompreensão.
Como é possível uma pessoa ser tão maldosa ao ponto de fazer uma coisa destas a outra ? O quê, perguntam vocês ? Sinceramente não têm nada a ver com isso. Quero que vocês se fodam.
Não consigo perceber o que é que passa pela cabeça de uma pessoa para fazer uma coisa destas, às vezes até penso que não passa nada. O que essa pessoa merecia era... nem sei o que é que merecia, não tenho palavras para explicar. Mas a prisão é que não. Era demasiado bom. Talvez, se lhe fizessem o mesmo, essa pessoa se apercebesse do que fez, do que fez à outra. E aí sim, era castigo. Remoer-se com remorsos. E não ter possibilidade de suicídio, pois com suicídio escapava ao sentimento de culpa.
Enfim.

Quem me dera, ao menos uma vez...

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o suficiente
E fala demais por não ter nada a dizer.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante
Mas deram-nos espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo o que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Como a mais bela tribo, dos mais belos índios,
Não ser atacado por ser inocente.

Mas deram-nos espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Que se foda.

Muito sinceramente, não venho aqui argumentar. Quando tiver tópico para tal, terei todo o prazer em fazê-lo. Assim sendo, e vendo que o meu colega aqui postou um trabalho que fez, não farei o mesmo.

Enquanto estou sentado na minha simples cadeira, à frente da minha mesa de madeira, a beber directamente da garrafa de àgua Luso, e a ouvir uma música que trás à minha mente o mais puro ódio irracional, vou descarregar aqui um bocado dele mesmo. Aqui, agora e sempre, a minha mente está num rubro intenso e carregado, porque eu, quero simplesmente que tudo se foda.

Quero que o Mundo se foda, que se enterre na merda que deixamos e criamos. Quero que arda intensamente pelos pecados de todos, quero que se mutile nas regras da sociedade. Quero que a decência e indecência, consciência, moral ou ética, tudo e mais alguma coisa, sejam abolidas e destruídas.

Diriam que quero um Mundo simples ? Nada mais errado. Quero apenas que desapareça. Não faz sentido, e não me parece que o vá descobrir, ou que alguém o faça. Somos minusculos, insignificantes, diminutos grãos de areia com data de validade. Somos a junção de dois conjuntos de genes distintos, e que mesmo assim, não nos abonam em nada.

Quero que se fodam os falsos. Quero que se fodam os Machos e Femeas Alpha. Quero que se foda loiro, ruivo e moreno. Quero que se foda a pretenção que os conflitos que se resolvem na base da violência. Quero que se foda a pretenção que existe mérito em acabar um conflito com palavras. Que se foda o ódio, o amor, a raiva, a paixão. Que se fodam chineses, portugueses, espanhóis, americanos ou russos. Ricos e pobres, gente comum ou intelectual, que todos se fodam. Que se fodam também as igrejas. Que se foda tudo e mais alguma coisa, e que me foda eu também, por fazer parte desta merda.

Que arda tudo na mesma pira, e alguém arranje a folha em branco, para ver se uma vez na nossa vida, conseguimos fazer algo bem !

“O que é que o mundo pode esperar de ti?”

O que é que o mundo pode esperar de mim? Nada. Da minha geração? Nada. Estamos demasiados preocupados com o nosso umbigo para olhar para os problemas da sociedade e do mundo. E também, quem é que tem tempo para pensar com tantos programas de televisão para ver e tantos profiles de hi5 para espiar?

Pessoalmente acho que tudo o que eu possa fazer para ajudar de qualquer forma o mundo será em vão. O mundo está demasiado “poluído” pela ganância e pela exploração, que qualquer acto de ajuda seria ignorado.

Certa vez tentei reciclar para ajudar a melhorar o ambiente, achei a ideia divertida e que não custava nada separar o lixo… Até ao dia em que presenciei os camiões que recolhem o lixo reciclado dos ecopontos a deitarem o seu conteúdo para o aterro, misturando o lixo reciclado com o lixo comum. Essa foi uma das inúmeras vezes que fiquei bastante decepcionado com a nossa sociedade corrompida pela ganância e pelo poder.

Em pequeno plantei uma árvore com o meu avô, quando o abate de árvores estava muito em voga. Há pouco tempo, ainda estava a árvore na primavera da vida, o local onde a plantei foi devastado pelo fogo e agora não passa de um mar de cinzas.

Poderia estar o resto da noite a escrever e descrever exemplos de como tentei melhorar o mundo, muitas vezes inconscientemente, e não consegui. Mas acho que ainda há esperança. Quando o principal objectivo dos homens que “conduzem” o planeta for o de salvar o mundo e não encher os bolsos à pala de guerras e explorações, aí sim, posso dizer que há esperança.

Há muito tempo disseram-me que, para finalizar um texto, deve-se usar uma citação de alguém conhecido, para dar ênfase ao mesmo.

I feel for the humanitarian efforts going on around the world; but I can't help be overwhelmed with the feeling that our planet, great mother earth, must be saved before any other success achieved by the human race.

- Ian Anderson, 18 anos, estudante.

Cogito Insurgi

O sítio onde se aprende e ficamos mais burros.