sexta-feira, 29 de maio de 2009
Morte
Empalideci. Senti a cabeça a pesar. Comecei a tremer, a pulsação parou, a pulsação acelerou.
Tal como num sonho, tal como num pesadelo.
Toda aquela dança hipnótica, a queda, a beleza naquele momento.
Senti o suor percorrer a minha face. Falhei. A gota cai, Foi-se. Formou-se uma nódoa, Perdi-a.
Não sei o que aconteceu. Perdi-me, não sei onde estou.
Porquê?
Porquê?
Pára. Desaparece. Sai e deixa-me. Deixa-me descansar. É tarde. Foge como quiseres, não te quero ver. Odeio-te.
Não. Adoro-te. Mais do que devia, mais do que suporto, mais do que mereço. Sou humano, animal, ser-vivo, é natural, não?
Por favor, imploro-te o adeus. Mata-me mais um pouco.
Só mais uma última vez.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Vejam-me a arder.
Faz décadas que não escrevo aqui. Já lá vão horas, dias, meses, em que uma réstia de pensamentos me abençoem de alguma maneira. Hoje ergui-me deste meu sono incauto, e deixei-me cair num fluxo de ideias que não me abonam de qualquer maneira. Poderia imaginar para mim mesmo que gostava que gostassem do meu texto, mas sinceramente ? Muito sinceramente ?
Estou-me nas tintas. Não interessa, que se foda. Hoje quero apenas que me ouçam, não que gostem. E quero que me ouçam sou na realidade. Como o cabrão filho de trinta putas que verdadeiramente sou. E vão ouvir-me com atenção, porque se não o fizerem, escapa-vos a ideia geral da merda que escrevo.
Eu vejo mal. Sempre vi, sempre verei. Mas vejo mal fisicamente, e é isso que me aterroriza os pensamentos todas as noites, quando me deito. Aterrorizo-me, porque sei que no dia a seguir vou ver a mesma merda desfocada de sempre, mas no entanto, que com a minha percepção, vou ver novamente todas as imperfeições que vejo nas pessoas.
Eu não sou ninguém para falar da falsidade, porque sou um falso em si. Eu não sou ninguém para falar de maldade, porque sou maldoso em mim. Não sou ninguém para falar da arrogância, porque sou arrogante nos meus termos. Não sou ninguém para falar do ódio, porque odeio com todas as minhas forças.
Mas há um limite. Há sempre um limite.
E eu, atingi o meu. Estou farto. Completamente farto. Nada muda. A vida é cíclica, e só agora é que reparei o quanto menti a mim mesmo ao pensar o contrário. E o quanto sofri e sofro pela minha própria estupidez. E assim sendo, olhando para a merda do mundo como se tivesse nascido aos 18 anos, com os olhos limpos e cheios de lágrimas, apetece-me arrancar a carne dos meus próprios ossos com todos os dentes que tenho na boca.
Não nasci hoje. Não nasci ontem. Já acordei para a vida à muitos, muitos anos. E por vários factores que prefiro nem revelar (para vos privar de verem toda a estupidez em mim contida) fechei os olhos inumeras vezes, pois imaginei que com o tempo, a vida me desse um trunfo com o qual jogar.
Qual trunfo, qual caralho. O jogo está cada vez mais avançado, e a minha mão é só duques. E não os consigo fazer render de maneira nenhuma, pois parece que toda a merda que joga contra mim tem ases e manilhas. Foda-se.
Saio à rua. Vejo pessoas parvas, cujo único objectivo é foder o maior número de boas pessoas possíveis, para obterem lucro simples. Estes são os parasitas da sociedade.
Vejo e ouço os falsos, ouço as maiores barbaridades dos arrogantes, sinto o ódio dos que discordam comigo por ninharias, vejo os sorrisos cínicos dos que me tomam por parvo ...
Foda-se.
Para mim, acabou-se. A minha vida tem um sentido, neste momento. E é deveras simples. Eu, sempre em frente. Já vi a parede à muito tempo.
Só estou à espera de bater, e ver quantos filhos da puta levo comigo.
Vejam-me a arder. Vai ser uma filha da putice gloriosa. Um mar de chamas e sangue sem fim, até onde a visão alcança ...
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Voto branco
Votem branco.
