quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Existência contínua de alguém

Olhos turvos, cabeça pesada. O costume. O frio consome o que resta de uma noite reconfortante, outrora fogosa, vívida. Está-me ausente, sinto a sua falta. Sinto a falta do seu companheirismo. Destilo mais um pouco a mente. Isso sim é crueldade, cair nas graças da consequência e desconhecer o erro cometido, qual destino infortuno, qual mísera punição.

Que fiz eu? Melhor: Quão culpado sou? Uma luz, um sopro breve, algo que me elucide, eu peço.

Um dia, fica a promessa aqui consagrada, um dia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Droga de eleição

Oh, grande meio de comunicação, obrigado por elevares a emoção, reduzires o pensamento e abafares a imaginação. Obrigado pela artificialidade das soluções rápidas e pela manipulação insidiosa dos desejos humanos para fins comerciais. Repara como estou de queixo caído e de boca aberta. Tento não engolir para me babar e mantenho os olhos semicerrados, para não utilizar nenhuns músculos. Deixo a passividade deste entretenimento invadir todo o meu ser. Afundo-me na minha falta de participação e reacção. Estou totalmente inerte e consigo atingir um nível de consciência mínimo. Esta taça de tapioca morna representa o meu cérebro. Ofereço-to num humilde sacrifício. Concede-me para sempre a tua luz trémula.

Calvin