quarta-feira, 25 de novembro de 2009

True truth.

The words you wanted to hear.
The words you needed to hear.
You spoked them.
Through me.
For yourself.

domingo, 15 de novembro de 2009

Sóbrio

Não seria a primeira nem a última vez que acordara naquele estado. Abri os olhos, e fixei o tecto. Ilustrei espirais repentinas com o meu olhar, e senti-me nauseado. Era uma sensação comum, algo demasiado simples para alguém que vivera uma vida boémia como a minha. Tento levantar-me, lentamente, e respiro com calma para não sofrer mais. O quarto pára, e sinto-me pesado. Tão pesado.

Mas esta história não é sobre mim, e como tal, tal apresentação é desnecessária. Não, esta história é sobre outro rapaz, que se recostara ao meu lado, como tantos de nós. A viva nunca nos deu folga, e fugiamos das normalidade celebrando a nossa própria imundice, como os porcos que sempre fomos. Divago. Lá estava ele, deitado, petrificado no chão qual estátua inerte. Mas não dormia. Não. Os seus olhos reluziam fugazmente por entre a penumbra.

Não me interessou o mínimo. Pensei que estivesse sob o efeito do álcool ou da droga, pouco me interessava. Já todos fizemos o mesmo. O ardor do álcool não costuma ser benéfico às grandes noites de sono. Levantei-me, já recuperado, e dirigi-me à casa de banho. Olhei para a figura baça que apareceu repentinamente no espelho e ri-me. Parece que me persegue constantemente, foi a primeira coisa que me veio à mente. Enfim. Passei água pela cara, e bebi alguma. Recuperei os sentidos completamente, e voltei ao quarto.

Nada tinha mudado em si. Ainda via as mesmas pessoas deitadas, num torpor alcoólico de louvar a Baco. E o tal rapaz lá continuava, deitado, olhando para o tecto. Do nada, solta uma lágrima, que lhe rola lentamente face abaixo. Começa a murmurar, lentamente, chorando.

Gostava de ter sentido pena dele naquele momento, de lhe ter dito algo. Não o fiz. Sentei-me na cama, e acendi um cigarro. Queimou-me a garganta ao de leve, mas era uma sensação divinal. E ele lá continuava. E eu, nada lhe disse. Quando um homem chora, deve fazê-lo para si, com gosto. Chorar é excelente. É o acalmar das lamurias e tristezas, dos ódios e raivas perdidas. Mas ele lá quebrou.

"António, man ..."

Soltei uma nuvem espessa de fumo para o ar.

"Que foi ?"

"Já alguma vez amaste ?"

Tomei a pergunta a seco, como um soco repentino no estômago. Era uma pergunta desagradável, ao meu ver.

"Demasiadas vezes."

"Já alguma vez amaste de tal maneira, que pensaste que nunca mais quererias passar a vida com outra pessoa, que ela era a única, a derradeira ?"

Ri-me. Sabia exactamente onde a conversa ia dar, e já adivinhava o porquê das lágrimas daquele rapaz.

"Já, mas a vida engana-nos."

Ele senta-se ao meu lado, limpando o rosto numa manga da sua camisola.

"Engana, não engana ? Eu sentia isso até hoje. Pensei que ela fosse a tal. Amei-a com todo coração, com toda a minha alma ... e nem isso a fez parar."

Ri-me novamente. Sempre fui um vero apologista das conversas decadentes entre dois gajos meio embriagados. O álcool rebenta com as inibições externas, ou seja, é bêbado que um gajo consegue ser mais sincero.

"As mulheres, meu amigo ... não nos merecem. E nós, até certo ponto, também não as merecemos. Podia dizer-te mil e uma coisas. Podia dizer-te que ela é uma puta, mas ficarias ofendido. Poderia dizer-te que a culpa não é tua, mas não te ajudaria. Até te poderia dizer para a esqueceres, mas as minhas palavras cairiam no vazio."

Ele olha para mim, perplexo, num misto de confusão e tristeza.

"Neste caso, meu amigo ..."

Passo-lhe o braço por cima do ombro, e aperto-o contra mim. Posso não ser a melhor pessoa deste mundo, mas nunca me hão-de acusar de não ajudar quem me é próximo.

"... não há nada que te diga que te faça sentir melhor. Chora o que tiveres a chorar hoje, porque amanhã chorarás mais. Odeia o que tiveres a odiar, porque não será a última vez que o fazes. A justiça não existe, não para gajos como nós. Estamos fadados à solidão. E quanto mais cedo acreditares nesta ideia, mais depressa te sentirás como eu."

Ele olha-me nos olhos, com as lágrimas a correr livremente.

"Mas eu não quero chorar. Eu não quero odiar. E não quero estar sozinho. Simplesmente quero-a a ela."

Olho para ele e largo-o, levantando-me.

"A escolha é tua, tu e só tu sabes o que fazer. Como te disse antes, não há nada que possa dizer que te vá ajudar."

Ele começa a soluçar, enquanto eu visto o casaco. A dor é grande, naturalmente, mas é preciso engarrafá-la, saber geri-la, saber fazer com que fermente bem, e só assim teremos uma excelente enchente de ódio destilada. E ele não o percebia. Quando eu vou a sair porta fora, ouço a voz dele, num tom lúgubre.

"Sou uma boa pessoa. Sempre fui. Nunca cometi nenhuma injustiça, sempre tentei ajudar quem pude. Nunca pedi nada em troca, a não ser um bocado de felicidade para mim mesmo. E a vida retribui-me assim. Com dor, tanta dor. Porquê, António, dá-me uma puta de uma razão!"

Abro a porta, e solto uma gargalhada. Alta. Cínica. Quase que delirante. Viro-me para trás, e sinto a fúria que tenho engarrafada a espalhar-se rapidamente, ruborizando a minha face. Olho-o friamente, com um olhar flamejante.

"Tudo o que te disse foi em vão. Não há justiça neste mundo. Hoje salvas a vida a alguém, amanhã levas uma facada de um assaltante qualquer. Hoje matas a fome a um pobre, amanhã não tens o que comer. Boas acções, más acções, branco, preto, nada existe. Tudo o que nos é incutido são mentiras, todas as tangas que te fazem engolir são conceitos de merda, e a justiça para os justos é uma delas. Queres um porquê ? O porquê de estares sozinho ? Porque esse é o fado de todos os amam sem restrições. Vivemos para sermos magoados, e se não sabes viver com isso, estás completamente fodido."

Ele olha-me, atónito, com os olhos vermelhos de tanta lágrima. A sua expressão é quase que delirante, um esgar maníaco de tristeza pura.

"És demasiado bom para mim, foi como ela acabou comigo. Como é que isto é possível ..."

De joelhos no chão, esconde a cara entre as mãos, e eu rio-me outra vez.

"Demasiado bom para mim. Essa é boa. Mas com o tempo, meu amigo, aprendê-las-ás a todas, acredita nas minhas palavras."

Fecho a porta atrás de mim, suavemente.


Epilogo


Desço a rua a passo leve e certo. Está uma tarde limpa, com o Sol alto, mas um frio irreverente gelava-me a pele. Acendo um cigarro com dificuldade, e tento aquecer as mãos. Chego ao meu destino, a tão comum tasca que costumo frequentar. Sento-me calmamente, e peço o de sempre, o meu bem amado café.

Enquanto o sorvo, passam as notícias na televisão, que permanecia sempre ligada. Podia ler-se a letras garrafais "Jovem Suicida-se à frente dos pais e irmão pequeno". Não me aborrece, e vejo uma cara conhecida, com as suas tristes feições estampadas numa fotografia.

"Fraco.", murmuro eu, entredentes, enquanto apago o meu cigarro no cinzeiro mais próximo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Existência contínua de alguém

Olhos turvos, cabeça pesada. O costume. O frio consome o que resta de uma noite reconfortante, outrora fogosa, vívida. Está-me ausente, sinto a sua falta. Sinto a falta do seu companheirismo. Destilo mais um pouco a mente. Isso sim é crueldade, cair nas graças da consequência e desconhecer o erro cometido, qual destino infortuno, qual mísera punição.

Que fiz eu? Melhor: Quão culpado sou? Uma luz, um sopro breve, algo que me elucide, eu peço.

Um dia, fica a promessa aqui consagrada, um dia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Droga de eleição

Oh, grande meio de comunicação, obrigado por elevares a emoção, reduzires o pensamento e abafares a imaginação. Obrigado pela artificialidade das soluções rápidas e pela manipulação insidiosa dos desejos humanos para fins comerciais. Repara como estou de queixo caído e de boca aberta. Tento não engolir para me babar e mantenho os olhos semicerrados, para não utilizar nenhuns músculos. Deixo a passividade deste entretenimento invadir todo o meu ser. Afundo-me na minha falta de participação e reacção. Estou totalmente inerte e consigo atingir um nível de consciência mínimo. Esta taça de tapioca morna representa o meu cérebro. Ofereço-to num humilde sacrifício. Concede-me para sempre a tua luz trémula.

Calvin

sábado, 19 de setembro de 2009

Caminho sem ver destino.

Já sabia que era isso que me querias dizer, foi o que lhe disse. Ou o que lhes disse. A um. A todos. Demarquei a minha posição como amigo, e tentei resolver os problemas. Mas nesta vida, nada é uma constante. Até as coisas mais certas, as que tomei como garantidas e depositava esperança fora do comum, foram desvanecendo entre labareda e cinza.

O mundo não te merece, disseram-me. Não há gente como tu. Nunca tive um amigo que me apoiasse tanto. Nunca vi ninguém a interessar-se tanto. Palavras que nada significam. Se tudo à minha volta muda, eu mudo. Dava-me a mim próprio como uma constante. Como um X's significante, como um ponto final prestes a ser usado. Fantasia delirante. Sou uma chaveta por fechar, uma virgula por usar. Sou um degrau nesta escadaria, e já tudo me passou por cima.

Talvez nunca me tenha aborrecido por ser um degrau. Talvez. Embora tudo me passe por cima, repararam que lá estava. Repararam em como os avisei. Em como se escaparam de tropeçar. Ou então não. Viram-me, e olharam-me na face vitrea do marmore branco. E seguiram em frente, prestes a cair no abismo.

E eu lá fiquei, parado. Tentei falar, tentei ajuizar valores e morais. Mas nada se alterou. Quem me ouviu, seguiu em frente e caiu. Quem seguiu em frente sem me olhar, nunca saberá o que pensar.

Mas eu tento sempre resolver as situações. Tento colar os pedaços, tento cozer os farrapos. Resolvo problemas, é o que digo. Mas nunca poderei resolver os meus, porque não os tenho.

E todos os dias me sinto menos um farrapo, e me sinto menos humano. Ou talvez me sinta acima disso. Talvez me sinta numa forma de deidade mal atribulada, um anjo sem asas para voar, um cupido sem flechas a disparar. Sozinho num mundo irrelevante, tentando juntar os pedaços que aparecem pelo meu caminho, e tentando fazer deles algo significante para a minha própria vida.

Mas no final, o único que procuro é o meu reflexo no rio. É ver-me a mim mesmo, e saber quem sou.

Talvez um dia me encontre.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pallor

E vou sucumbindo nestas trevas que me demarcam, qual ferro incandescente, palavras de saudade e ódio cristalino como cheiro a terra molhada de um dia fenomenal.
Desvaneço-me, caio e afogo-me em mágoas de paixão, outrora felizes, mágoas de prazer, mágoas de vício. Fins, e fins. Começos, e começos.
Fora a sina incerta, é-me reservada uma certeira solidão, e a privação de doces memórias que sobrevoam um breu mar de melancolia. QUE FODA.

Grito, tortura, auto-comiseração. Mais um escravo da paixão, servo de coração, fiel de desilusão, eu sou. Ludibriado pela própria vontade, vigarizado pelo mesmo sonho outra vez. Sonho que me fez voar, voar tão alto como Ícaro, descer tão raso quanto um trapezista atrapalhado que perdera a sua corda bamba.

Estas sentenças já nem fazem o mesmo sentido.. não começam, nem mesmo concluem qualquer linha racional. Insano, insano, insano.

Nem estou assim tão perturbado. Estarei?

Olhem para mim, aldrabado por um alter-ego, estado transcendente de submissão a promessas inconclusíveis.

E vou abraçando devaneios que me demarcam esta nostalgia, como um tolo.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Matem-me

Quero pregar-me. Esfolar-me, amputar as pernas, abrir o crânio com a parede, arranhar o corpo com um ancinho, desbastar a língua, partir os dedos, deslocar as vértebras, dissecar artérias e incendiar-me.

Quero qualquer coisa. Quero tudo. Tudo que me faça suportar esta dor de ciúme. Qualquer coisa que me tire desta prisão psicológica, deste meu castelo donde me quero atirar.

A dor é como um delírio, coloca-nos a correr e faz-nos acreditar que voamos. Tira o folgo e ilude que se respira. Mata, e no entanto cria.

Mata. A dor mata. E vai torturando lentamente, como o mais denso dos rios.
A dor cria. Cria ódio. Ódio, a forma de paixão mais ardente, aquilo que percorre as entranhas incendiando tudo a seu redor, aquilo que me tocou ao de leve e comprou a racionalidade.

Insano, estou a ficar preso.

domingo, 30 de agosto de 2009

(Des)ilusão

Não me sinto a escrever. Não tenho intenções de, nem sequer me sinto na necessidade de. Poderia debater qualquer tópico, mas de que vale, pergunto-me.

De que vale algo, mesmo? De que vale um bom emprego, uma fantástica vitória, uma desoladora derrota?

Não sinto o mundo mais leve, nem mais pesado, áspero ou macio. Continua igual, dia para dia, veneno para veneno. Falem-me de bom senso, ética, razão. Ideais vazios, digo eu.

Sabe tão bem o egoísmo, culto da própria felicidade. Admitam. Não o fazem, idiotas seriam se o fizessem.

"Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo", lá disse o outro, e morto este foi, pelo ódio, pelo amor.

Lamento se não me esforço o suficiente, não é fácil ser vazio neste mundo. Vazio de igualdade, vazio de identificação, vazio de apoio.

Talvez seja demasiado o esforço, talvez seja escusado mudar. Não é casa de alguém que queira arrumar sozinho, não eu.

"Fé", lá dizem os outros. Talvez seja o melhor, tomar um pouco de ópio e sonhar que sou parvo.

Amo-te, ignorância.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Anarquista Duval

Pela estrada fora vinha um homem
Encoberto pelas sombras da noite
Alguém lhe perguntou o nome
Sou uma miragem, Dizem que semeio o caos e a destruição
Como o vento semeia as papoilas
O meu nome é... Liberdade
Vinha pela estrada fora a Liberdade
Encoberta pela noite das sombras
Sabes quem eu sou? perguntou ao candeeiro
És uma miragem E pertences ao livro dos sublinhados
provocadores
Que são os poetas
Almas sonhadoras Anarquista Duval:
Prendo-te em nome da lei?
Eu suprimo-te em nome da Liberdade!
Sublinhados provocadores, iam pela estrada fora
Carregando o livro das sombras
Da noite só restava o candeeiro
Encoberto

Mão Morta - Anarquista Duval

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Não me interessa.

How does a mockinbird sings without a beak ?
How do you climb a mountain without a peak ?
How do you cry without no tears ?
How can you live without no fears ?

If a cristal falls, does it shatter ?
If a mother cries, does it matter ?
If a children dies, is there a reason ?
If a king falls, is it treason ?

If the government commands, do you follow ?
If a tree stump breaks, was it hollow ?
If you sharpen your blade, are you a knight ?
If the moon is high, is it night ?

I don't want a answer to my questions today
I'll stand by my ignorance, if you may.
Because its simpler to be oblivious to the world
Than to care and say another word.

domingo, 12 de julho de 2009

People are strange

Foda-se. Estão por todo o lado. Para onde quer que olhe, para onde quer que vá, vejo-as. As pessoas. As cenas mais estranhas que algumas vez viveram neste planeta. E a cada dia que passa, parece-me que ficam mais estranhas. Tal como alguém disse: 'Eu pensava que já tinha visto de tudo, até vir para aqui...'. Logo de manhã, assim que saio de casa deparo-me com estas estranhas criaturas. Todos os dias, as mesmas caras, as mesmas pessoas, as mesmas vivências. A única coisa que muda é o comportamento delas. Como já disse, a cada dia que passa ficam mais estranhas, mais superfulas, mais previsíveis. Quando pensamos que nunca na vida alguém faria uma coisa tão absurda, que ninguém ousaria sequer em pensar fazê-la, há alguém que a faz - da maneira mais estranha possível. E ainda dizem que eu sou estranho.

'While you laugh at me because I'm different, I laugh at you because you all look the same.'

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Por enquanto

Dois lábios como as dunas arenosas de uma tarde de verão, olhos recônditos de passividade ou indiferença, tardia chama que iluminou o caminho, os cabelos de seda-marfim.
O fim não é, algo a temer, pois nada se perde, tudo se transforma. Mas fui eu o transformado. Doce derrota da amarga tristeza, colapso de memórias e fragmentos inocentes do passado.

Um deus pessoal, uma benesse divina. O meu eu, a minha vida. Tudo o que queria, e tudo o que tenho. Devotadamente, o caminho pedregoso percorrido sem medo e as dúvidas mortas do que é chama, ou apenas miragem.

Baboseiras, diria. Que se finde tudo, bem está a lua com o sol, e a vida com a morte, paixão com ódio. Já nem importa o "quê" na solidão, o "quem" na companhia. Preso, ser de obediência, escravo de aurora boreal, súbdito de emoção.

Erros, não mais que recordações de suaves traços ébrios de paixão. Perdição, onde estás, não há destino! Cheguei.

O que é isto? Paródias adolescentes de uma mente perdida, um carvão na fogueira, um corpo em descanso, finalmente.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ok, são 6 da manhã.

O título fala por si. Foda-se, é que são mesmo 6 da manhã. E que faria um gajo marado como eu, uma pessoa que não tem qualificações suficientes para se denominar de tal ?

Olha para este blog imundo, escreve, e pede a alguma força superior à sua para não o deixar adormecer à frente do teclado.

Vou-vos ser sincero. Hoje estou pertinentemente mal disposto. Será comum ? É. Sem puta de dúvida alguma. Aliás, dizendo que hoje é pertinente que eu esteja mal disposto, estou a dizer que todas as últimas vezes que proferi o meu desgosto, não eram sinceras. Nada mais longe da verdade. Mas hoje estou mal disposto com razão, e dou-vos o agrado de saberem porquê. E não, não é pela falta de sono. Estou habituado a não dormir, as minhas insónias crónicas queimam-me corpo e alma, mas vou vivendo.

Hoje, mesmo não tendo dormido, acordei mais um bocado. Nem gritei um "foda-se" tão comum, nem gemi, nem sequer tentei fechar os olhos e voltar a um sono lúgubre, de uma falsidão enorme. Acordei, e olhei para o tecto liso. Era como se a luz me beijasse a vista, e me dissesse "Tu vês tanto, que só te fodes por tanto ver.".

Aí sim, gritei "foda-se". É incomum as minhas epifanias cuspirem-me na cara, e realmente, não estava preparado. Ou ainda mais, também não me habituo a ouvir vozes, porque não as ouço realmente, a não ser aquelas duas putas que são as vozes da consciência. E é nisso que eu penso, no meio daquela maldita frase.

Talvez tenha acordado a meio de uma conversa divertida entre as minhas consciências. Mas não vamos pela teoria simplista do Bem e do Mal. Não gosto de teorias simplistas, e sei bem o que me corre nas veias. As minhas consciências ? Temos à má, e a um pouco menos má. Dê por onde der, não me safo.

Mas lá acordo eu, ouço tal barbaridade poética ou filosófica, daquelas merda que fazem um gajo pensar na sua realidade, e no quanto abrange a dos outros, e fico atónito. Talvez tenham razão. Talvez eu veja demasiado, pensando que veja tão pouco. Não duvido da minha capacidade de ler os outros (sempre consegui discernir situações e personalidades com facilidade, mea culpa), mas sempre achei que havia algo que me escapava, que fugia ao meu controlo. Uma sombra de um vulto que não existe. Algo que passava pelos cantos dos meus olhos, sem me deixar olhar fixamente.

E foi aí que pensei. Eu sei a verdade. Mas não a quero ver realmente, quero modificá-la, e fazer dela o que a mim me convém. Não será essa a meta de todos nós ? Atingirmos o grau de liberdade suficiente, que a certo ponto, consegui-mos moldar a nossa realidade, mesmo que muito levemente ?

É hipócrita da minha parte querer isto, ou dizer tal coisa. A minha verdade, é a minha verdade. Eu sei a minha verdade, eu encontrei a minha verdade. Se atrás de todas as mentiras, ouviram uma voz cujos gritos eram abafados, essa voz, esses gritos, eram os meus.

Mas longe de mim querer moldar a vossa realidade. Quem sou eu, aliás ? Algum tipo de Demiurgo audaz, que implanta nas mentes dos mais incautos as mais variadas ideias, que os trespassam como uma faca quente, passando pela manteiga ?

A minha verdade é a minha verdade. Já abri os olhos, de várias formas, a muita gente. E já vi que não vale a pena abrir-lhes os olhos. Mais vale obrigá-los a abrirem-nos por si mesmos.

Porque se fôr eu a fazê-lo, a única coisa que vão ver, serão as suas lágrimas a acalmar um incêndio nas suas almas.

E por mim, mais vale que ardam mais um bocado, mas que aprendam algo de jeito com as suas queimaduras.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Branco e preto, preto e branco.

Quando nasço, sou preto.
Quando vou à escola sou preto.
Quando apanho sol, sou preto.
Quando tenho frio, sou preto.
Quando tenho medo, sou preto.
Quando estou doente, sou preto.
Quando morro, sou preto.

E tu amigo branco ?

Quando nasces, és rosa.
Quando vais à escola, és branco.
Quando apanhas sol, és vermelho.
Quando tens frio, és azul.
Quando tens medo, és pálido.
Quando estás doente, és amarelo.
Quando morres, és cinzento.

E és tu que me chamas "pessoa de côr" ?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Morte

Não acreditei quando entrei pela porta. Estático e imóvel permaneci ao observar.

Empalideci. Senti a cabeça a pesar. Comecei a tremer, a pulsação parou, a pulsação acelerou.

Tal como num sonho, tal como num pesadelo.

Toda aquela dança hipnótica, a queda, a beleza naquele momento.

Senti o suor percorrer a minha face. Falhei. A gota cai, Foi-se. Formou-se uma nódoa, Perdi-a.

Não sei o que aconteceu. Perdi-me, não sei onde estou.

Porquê?

Porquê?

Pára. Desaparece. Sai e deixa-me. Deixa-me descansar. É tarde. Foge como quiseres, não te quero ver. Odeio-te.

Não. Adoro-te. Mais do que devia, mais do que suporto, mais do que mereço. Sou humano, animal, ser-vivo, é natural, não?

Por favor, imploro-te o adeus. Mata-me mais um pouco.

Só mais uma última vez.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Vejam-me a arder.

Faz décadas que não escrevo aqui. Já lá vão horas, dias, meses, em que uma réstia de pensamentos me abençoem de alguma maneira. Hoje ergui-me deste meu sono incauto, e deixei-me cair num fluxo de ideias que não me abonam de qualquer maneira. Poderia imaginar para mim mesmo que gostava que gostassem do meu texto, mas sinceramente ? Muito sinceramente ?

Estou-me nas tintas. Não interessa, que se foda. Hoje quero apenas que me ouçam, não que gostem. E quero que me ouçam sou na realidade. Como o cabrão filho de trinta putas que verdadeiramente sou. E vão ouvir-me com atenção, porque se não o fizerem, escapa-vos a ideia geral da merda que escrevo.

Eu vejo mal. Sempre vi, sempre verei. Mas vejo mal fisicamente, e é isso que me aterroriza os pensamentos todas as noites, quando me deito. Aterrorizo-me, porque sei que no dia a seguir vou ver a mesma merda desfocada de sempre, mas no entanto, que com a minha percepção, vou ver novamente todas as imperfeições que vejo nas pessoas.

Eu não sou ninguém para falar da falsidade, porque sou um falso em si. Eu não sou ninguém para falar de maldade, porque sou maldoso em mim. Não sou ninguém para falar da arrogância, porque sou arrogante nos meus termos. Não sou ninguém para falar do ódio, porque odeio com todas as minhas forças.

Mas há um limite. Há sempre um limite.

E eu, atingi o meu. Estou farto. Completamente farto. Nada muda. A vida é cíclica, e só agora é que reparei o quanto menti a mim mesmo ao pensar o contrário. E o quanto sofri e sofro pela minha própria estupidez. E assim sendo, olhando para a merda do mundo como se tivesse nascido aos 18 anos, com os olhos limpos e cheios de lágrimas, apetece-me arrancar a carne dos meus próprios ossos com todos os dentes que tenho na boca.

Não nasci hoje. Não nasci ontem. Já acordei para a vida à muitos, muitos anos. E por vários factores que prefiro nem revelar (para vos privar de verem toda a estupidez em mim contida) fechei os olhos inumeras vezes, pois imaginei que com o tempo, a vida me desse um trunfo com o qual jogar.

Qual trunfo, qual caralho. O jogo está cada vez mais avançado, e a minha mão é só duques. E não os consigo fazer render de maneira nenhuma, pois parece que toda a merda que joga contra mim tem ases e manilhas. Foda-se.

Saio à rua. Vejo pessoas parvas, cujo único objectivo é foder o maior número de boas pessoas possíveis, para obterem lucro simples. Estes são os parasitas da sociedade.

Vejo e ouço os falsos, ouço as maiores barbaridades dos arrogantes, sinto o ódio dos que discordam comigo por ninharias, vejo os sorrisos cínicos dos que me tomam por parvo ...

Foda-se.

Para mim, acabou-se. A minha vida tem um sentido, neste momento. E é deveras simples. Eu, sempre em frente. Já vi a parede à muito tempo.

Só estou à espera de bater, e ver quantos filhos da puta levo comigo.


Vejam-me a arder. Vai ser uma filha da putice gloriosa. Um mar de chamas e sangue sem fim, até onde a visão alcança ...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Voto branco

Já há uns tempos que andava para escrever algo sobre a crise em que vivemos hoje em dia no nosso querido e adorado Portugal. Vou começar por falar no partido político que tem o 'comando' do país e seguidamente daqueles que tentam a todo o custo chegar a essa posição tão carismática. Para quem não sabe, eu sei que são muitos, a política em Portugal está dividida principalmenteem dois 'grupos': esquerda e direita. Nos partidos de esquerda encontramos o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e, supostamente, o Partido Socialista, entre outros. Na direita reina o Partido Social Democrático, o Partido Popular e o grande Partido Nazional Renovador. Se querem que vos diga, cá para mim, são todos merda. Todo e qualquer político é merda. Quer seja de esquerda ou de direita, podiam morrer todos com as suas políticas da pila pelo cú acima. Desde o 25 de Abril de 1974 o poder do país tem passado pelas mãos destes senhores e como podem ver, estamos na merda em que estamos. Se em vez de cravos tivessem sido utilizadas balas, creio que hoje não iria haver pseudo-enginheiros-políticos a mandar. Ah e tal, foi uma revolução sem sangue e conseguimos derrubar a ditadura. Conseguiram derrubar a ditadura o caralho. A esta democracia de merda em que vivemos eu chamo de ditadura económica. E não me venham com histórias do arco da velha que já estou a ficar fodido de tanto as ouvir. Falando de eleições. Como é que há tanta gente a queixar-se do rumo do país, quando grande parte dos jovens entre os 18 e 25 anos não sabe sequer o que é a direita e a esquerda. E já para não falar que se estão a cagar para o votar. Alguns ainda votam, porque toda a gente vota. E depois ouvem-se cenas como esta: 'Então, em quem é que votaste? - No Cavaco. - No Cavaco!? - Ya, bué gente votou nele.'. Alguém me explica o que caralho é isto? Isto é uma cena verídica vindo de uma pessoa que deve chutar merda para o sangue. Ou se sabe no que se vota ou tá-se quieto, foda-se. Depois ainda há aqueles que quando lhe tentamos explicar o que caralho é o voto branco, dizem: 'Ah, para votar em branco não voto.'. Burros. Todos burros e deveriam ter sido mortos à nascença. Para quem não sabe e queira saber sem fazer comentários de merda como aqueles, o voto branco serve para mostrar o nosso descontentamento com os partidos políticos dentro das eleições, ou seja, o voto branco é para aqueles que não se identificam com nenhum dos partidos. E não me venham com merdas de que não votar é melhor. Para quem pense assim, o voto foi um direito bastande difícil de se alcançar, por favor deixem de ser ignorantes e passem a usar a cabeça. Vou ficar por aqui porque esta conversa toda sobre políticos e gente ignorante deu-me gases.

Votem branco.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lobos

Quem somos nós hoje? Talvez não sejamos quem deveríamos ser. Antes, eu acreditava que era possível ser-se completamente livre (por livre, significo todas as acções entre o imaginário e o real). Tudo o que quisesse fazer, faria. Mas teria as minhas consequências, claro, daí o sentido de ser livre.

Contudo, evoluí e aprendi que não passava de uma infantil ilusão, pois já desde cedo que somos condicionados.

Eles, os Media. Eles, os nossos familiares. Eles, os nossos caros amigos. Esses todos, mais a percentagem de noventa por cento de outras entidades desconhecidas que nos julgam, apenas através dos 5 sentidos. É este o Homem: Um individuo inserido na sociedade que o devora.

Como ser livre, se já desde início nos indicam o que fazer e o que não fazer? Seja baseado na educação através da primitiva violência, das benditas palavras ou do firme castigo, eles condicionam-nos até ao ínfimo pormenor, apenas com o desejo de nos inserir na sociedade.

Se na sociedade não se fala mal dos outros, não falemos mal de outros então. Mas todos o fazem. Todos observam com desprezo quaisquer atitudes inovadoras, já para não proferir, o caos que não é quando não se trata desse género de atitude.

Portanto, temos duas vias: O clone marioneta, sempre com a mesma linha de pensamento, há muito rotulada por uma ideia estabelecida no senso comum; ou o ser divergente e solitário julgado pelos clones, contudo livre de opinião e alma.

Infeliz mas lúcido? Ou feliz mas iludido? Por qual optar? Muita vez desejei eu fazer parte dos ingénuos (quem nunca o fez?), esquecer os infortúnios deste mundo e viver feliz na bendita ignorância.

Mas como tal sorte não se sucedeu, é necessário combater o sistema. Porquê? Porque sabe bem renegar a todo o ópio que o povo compra. Sabe bem ter o conhecimento de que não somos totalmente iguais. Ainda não somos uma revelação milagrosa, todavia não somos gado. E isso já é um começo, já é algo para nos libertarmos deste mundo que nos vacina esta droga mental que é o estereótipo.

Mecanizar o homem e convertê-lo num cliché ambulante é o intento da cega multidão, mas muito mais será necessário para nos iludir a nós, os libertários.

terça-feira, 31 de março de 2009

Cogito Insurgi

1 ano.

Ode ao ódio

Perdi-me, e nunca mais soube quem era. Embora esta casca, este disfarce de carne e sangue seja o mesmo de sempre, o que estava por dentro mudou. Contudo, não foi uma metamorfose benigna, não nasce uma borboleta deste casulo. Em si, o que mudou por dentro apodreceu, estagnou, e não por falta de pensamento, mas sim por excesso deste.

Sempre me disse a mim mesmo que pensar, nunca seria demais. Que imaginar, que fazer filmes na minha mente, seria sempre algo que me daria asas no futuro. O que tenho planeado hoje, é o que quero realizar amanhã. Mas no fim, do que valem os sonhos ? No final de contas, nada corre como planeado, e o sonhador é deitado por terra, com um estrondo que lhe esmaga a alma e lhe corrompe as lágrimas. E apartir daí, como é que se levanta ?

É uma pergunta que percorre a minha mente fluentemente. Como se recupera algo partido, como a mente frágil daquele que perdeu ? Daquele que falhou ? Daquele que sente que não se consegue levantar, devido a uma força maior que ele que o empurra para baixo, que faz dele o miserável que é ? Que força ajudará este ser ridiculo, que esperneia no chão, clamando por uma mão ?

Uma força interior chega. Um pensamento simples, primal, que nos percorre o sangue, que nos percorre a mente, que nos corrompe, mas nos dá força.

Isto, é uma mera ode ao ódio. A onda de pensamento invade, mas nunca chega a retaliar contra o seu dono, e sabem porquê ? Porque a culpa não é nossa. Quando o ódio invade, os culpados nunca somos nós. E isso, é liberdade. Culpar os outros pelo nosso fracasso, culpar os outros pela nossa dor, simplesmente culpar os outros ... é uma mentira.

Mas é uma mentira que fere muito menos que a realidade.

quinta-feira, 19 de março de 2009

A mera simplicidade

A sério. É simples. Estou no estado de espírito certo para divulgar informações que dependendo de quem as leia, possam ser depreendidas de várias maneiras. Ou concordam, ou discordam. Não que a mim, neste preciso momento, me interesse de todo. Acabei de vir do café. Café equivale a cerveja. Cerveja equivale a cigarro na mão. Cigarro na mão equivale a maço no bolso. E toda a gente sabe que cerveja + cigarro na mão é igual a um sorriso na cara (nem sempre, mas quase).

Depois de uma introdução tão longa e vistosa, quase que me esqueci do tema que ia abranger. Mas porra, também podia entrar aqui numa longa dissensão sobre algo aleatório, tal é o meu estado.

Aliás, alongando ainda um bocado a vossa espera pelo texto real. Podia fazer até um simpósio elegante, um Q&A, um debate. Mas não. Vou falar sobre algo que vos pode ser relevante ou irrelevante, um mero fluxo de uma sinapse cerebral electrizada momentaneamente.

Hoje, quero falar da realidade das coisas. Sim, leram bem. A realidade das coisas. E a realidade é um todo demasiado extenso, por si.

A realidade é uma pedra. Simples, redonda, lisa, cinzenta. Acabamos de a apanhar do chão, e olhamos directamente para ela. Sentimos o seu peso na nossa mão. O seu odor é-nos indistinto. A sua textura. Percebemos isto tudo sentindo-o. Mas esta é apenas uma realidade. A realidade do olho nú, a percepção fisica, mas nem de todo completamente realista. A pedra é o que nós percebemos da pedra. Mas será a nossa realidade, toda a realidade ?

Fragmentem a pedra. Partam-na. Abram-na, estilhacem-na, esmaguem-na. Quebrem a realidade que ostentavam orgulhosamente nas vossas mãos. E vamos ver que há mais realidade além daquela que se imaginava. A pedra pode ter fragmentos dentro dela, por exemplo, dum fóssil. Abre-se então uma nova realidade dentro daquela que pensavamos inteira. Dissequemos a pedra em atómos. Uma abrangência louca que se abre à nossa frente, instaurando na nossa mente a dúvida da certeza absoluta.

Mas a pedra, de qualquer maneira que a vejam, está sempre na vossa mão. E agora, podemos ter escolhas. Ou a vemos da maneira simplista, que nos diz tudo o que apenas nós queremos saber, ou a vemos de maneira profunda, e procuramos nela o sentido máximo até aos confins.

Sinceramente, tem tudo a ver com a simplicidade da nossa visão. Ser simples é bom. Mas ser demasiado simples, é ser ignorante.

Já não sei o porquê deste texto. Acho que estava a pensar numa cerveja. Num cigarro. Não interessa. O que interessa é que o escrevi.

domingo, 1 de março de 2009

Que poderei eu dizer.

"Quid sum miser tunc dicturus?
quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?" 


Que poderá um miserável como eu dizer?
Quem intercederá por mim,
Quando os justos necessitarem piedade?

Este excerto do Requiem diz tudo. É uma verdade inalterável, na qual eu não posso tocar, apenas sentir. É uma máxima de vida. Algo que me entristece, e envia abaixo constantemente. Sempre que olho em frente, sempre que olho para trás, persegue-me, assombrando-me a alma. E sinto-me sempre assim, na penumbra do pensamento.

No final, quem intercederá por mim ? Quem poderá dizer o bem que fiz, quem poderá dizer uma palavra bonita, conhecer um gesto amavel, um toque súbtil, mas que altera uma vida ?

Quem poderá dizer que o ajudei, que estive lá, que fui uma pedra, um suporte ?

É este o mal de ser uma sombra, que se dilui na luz das multidões. É ter a benção e a maldição de não ser reconhecido, e de nada ser, a não ser uma sombra.

E no fim, ninguém nos conhece. Ninguém verte uma lágrima, ninguém diz uma palavra bonita. Ninguém se lembra, ninguém se importa. Somos apenas mais um, e nada mais.

Tal como nas palavras de Pessoa ...

"Sinto-me como uma sombra,
De um vulto que não vejo e que me assombra
E em nada existo, como a treva fria."

Quão descartável é o animal humano ...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Policia Judiciária

- Oh jovens ! Policia judiciária, para onde vão ?
- Para casa.
- Bilhetes de identidade. O que é que levas na mochila ?
- Nada, pode ver.
- Consomem drogas ?
- Sinceramente, sim.
- Têm alguma coisa convosco ?
- Não, pode revistar.
- Se tiverem, é melhor darem...
- Não temos nada, podem revistar.
- O que é que tens nos bolsos ?
- Telemovel, chaves, maço de tabaco, baralho de cartas, canivete e mortalhas.
- E xamon, não ?
- Já dissemos que não. As mortalhas são para o tabaco de enrolar.
- Muito bem. Onde é que moram ?
- Ali em cima.
- Eu moro já ali.
- Revistaste-o ?
- Sim, tá tudo bem.
- Muito bem, podem ir.
- Boa noite.
- Boa noite.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Finito

Antes pensava que a solidão era algo que quando em demasia poderia tornar-se prejudicial. Hoje, acho que nem a mínima é. Este mundo está podre, assim como os homens que o fazem andar. No final de mais de dois mil anos de existência, o ser humano ainda não possui a capacidade de reparar que tudo é superficial. Não importa quão bem ou mal erramos a vida. Não importam quaisquer atitudes, sejam essas correctas ou erradas. Não importa o dinheiro gasto, o dinheiro poupado ou a sua falta. Nada importa.

E nada importa, porque somos merda. Mais humildade haveria neste mundo, se o Homem fosse permanentemente relembrado de que da merda nasceu, merda é, e na merda morrerá.

Entretanto, a vida relembra-me de que não me devo agarrar às pessoas. Porque o hei-de fazer? É bom ter alguém que nos ame momentaneamente, mas após esse amor, que resta? Apenas auto-comiseração e sofrimento. Saber que tanto se ofereceu e posteriormente ser descartado como um simples lenço de papel amarrotado é lamentável.

Mais lamentável ainda, é a hipocrisia. Talvez não exista maior desfeita que assegurar a apreensão do íntimo de um indivíduo, e posteriormente ser vítima do frio banho da verdade.
Confiamos. Acreditamos. Amamos. Mas são tudo mentiras. Tudo traições.

Enquanto solitário, não as há. Ninguém a quem prometer, ninguém a quem justificar. Simplesmente ninguém. E é óptimo, pois a mágoa jamais acerca o espírito.

Nunca foi necessário o presente ser o Século XXI para o homem regozijar apenas a sua própria companhia. Já muitos outrora padeceram de tal privilégio e o apreciaram com gratidão. Agradeceram-se e rumaram ao futuro, pois a mais ninguém o poderiam fazer.

“Nenhum homem é uma ilha”, mítica afirmação dita por John Bon Jovi. Eu contesto. Mais fácil é o homem apreciar a ausência da companhia, do que a companhia apreciar a presença do homem. Porque neste mundo, cada qual por si, e nestes tempos de crise, quanto mais.

Pois a solidão é um estado de salvação. É uma oportunidade para amadurecer e resolver a vida. É cessar e viver com o “eu” interior. Esse “eu”, que nunca deixa a o relógio andar por ninguém, que nunca fere, tortura ou engana.

Triste realidade, ó vida infame.

Era uma vez

Era uma vez um mundo. Um mundo simples, onde não existiam problemas. Um mundo com as suas divergências interiores. Divergências estas, que a sua solução não era proporcionada através de actos ou gestos, letras ou palavras, sons ou silêncio. Para existir uma solução, era necessário existir um pensamento. Pensamento adquirido não através do vulgar pensar, mas através do conhecimento do mesmo. Conhecendo o mesmo, conhecia-se o pensamento. E com o pensamento achava-se a solução. Assim, todas e quaisquer divergências encontrariam termo. E sem mais nem menos acabou, morreu.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu ou tu ?

Penso nisto constantemente, é um pensamento recorrente. A cada leve movimento, persegue automaticamente a minha mente, com uma questão que não me mente, à qual não há uma resposta suficiente.

Serei teu, ou serás tu minha ? Cada passo que dou, ela ao meu lado caminha. E eu não sei se olho eu para ela, ou ela olha para mim. Mas está lá, sempre. E isto irrita-me, constantemente. E eu, fico sempre assim, consternado, alienado da razão. E ela. Ela continua lá.

Vejo-a todos os dias, a toda a hora. Olho para ela, ou ela olha para mim ? Segue-me para todo o local onde vou, como um cão subserviente. Chega a ser irritante, mas habituei-me à ideia, embora tente encontrar uma resposta a toda a hora.

Seremos o mesmo, ou diferentes ? Será que tu sentes como eu sinto ? Será que tu mentes como eu minto ? Será que ris como eu me rio ? Quando eu me calo, perdes o pio ?

Ou será que sou eu que te sigo, e não o contrário ? É este o meu pensamento diário. Seja como fôr, corremos os dois pelo mesmo horário. E contigo, nunca me sinto sozinho.

Acabaremos por viver os dois juntos, para sempre. E tu és daquelas que nunca mente. Talvez porque não possas. Talvez porque te mexas pelo mesmo caminho que eu. Mas nunca saberei a verdade. E tu não ma dizes, e ris-te de mim a toda a hora. Talvez tu saibas a resposta. Ou talvez te indagues como eu, a toda a hora.

Será que ele é meu, ou eu sou dela ?

Estamos um para o outro, sombra. E assim será, eternamente ...

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A revolução dos cravas

Chegas ao bar à noite, com vontade de beber
Mas reparas que não tens dinheiro para pagar.
Sabes logo que só há, uma coisa a fazer
E essa coisa é, a simplicidade do cravar.

É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.

Sem cheta no bolso
Parece que tem um buraco.
Saltas de moço em moço
Parecendo um macaco.

Estes são os galhos da tua vida
Onde tens de te pendurar.
Quando a situação está fodida
A qual deves tu cravar ?

É a revolução dos cravas
Dizias tu que mas pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que mas pagavas!

E é durante a noite
Que um cigarro queres fumar
Pregas a um amigo um leve açoite
A nicotina a ressacar.

Ele olha-te com cansaço
Manda-te logo foder
Mas saca sempre do maço
Mais um cigarro a perder.

É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas!

Tu sabes que é assim
Pagas a tua e a dos outros
E é que mesmo no fim
Todos eles não são poucos.

Sabes lá tu o que eles fazem
Com o dinheiro pra comer.
Quando as médias se abrem
Vêm logo a correr.

É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas.
É a revolução dos cravas
Dizias tu que ma pagavas!

A fuga é impossivel
A esta onda de cravanço!
Tu só sabes que é incrivel
Fazerem de ti um corno manso.

É a revolução dos cravas,
Dizias tu que a pagavas.
Cada uma que lhes pagas
É menos uma que mamavas.

Chama-lhe o que quiseres

Nasces. Comes, cagas, choras e dormes. Cresces. Brincas, vais à escola e vives num mundo de ilusão. Cresces mais um pouco. Começas a pensar, vais à escola e começas a descobrir o que é a vida. Cresces mais um pouco, mesmo que não seja em altura. Começas a pensar demasiado, vês que a escola é importante mas só a acaba quem é filho de doutor ou de professor. Sempre crescendo. A vida mostra-se confusa e cada vez mais nojenta. Demasiado ocupado para crescer, mesmo sem nada para fazer. Passaste uma vida na escola e vês que não te serviu de nada, pois quem tem conhecimentos sociais passa-te à frente. Depois disto tudo, mesmo tendo uma significância quase nula no meio deste mundo de merda, ainda têm a lata de te perguntar porque razão bebes tanto álcool e fumas charros, huh ?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Absinto

Absinto
Quem te bebe que o diga
Eu gosto e não minto
Dedico-te a ti esta cantiga.

Absinto
Liquido e ardente
Toda a rua um labirinto
Quebraste a minha mente.

Absinto
Desejo requinte
Eu bebo e não minto
Venha o copo seguinte.

Absinto
Faço deste chão a minha cama
Eu gosto mas já não sinto
O meu coração que se inflama.

Absinto
Acendes em mim a tua chama
Vejo um vulto indistinto
Que pelo meu nome exclama.

Absinto
A noite acabou, e eu acabei de cair
Tu dos impérios és o Quinto
E eu nada faço, a não ser sorrir ...

Força do movimento

Sinto-me obrigado a avançar
Pela força do movimento
Cada passo, num momento
Um destino novo a traçar
Mas não me posso chatear
Aborrecer, para os eloquentes
Se de má forma eu falar
Dirão asneiras veementes.
E se com todos estes meus dentes
Tento sorrir de forma sagaz
Não há melhor movimento de mentes
Que um sorriso deste rapaz
Que se derrete por um sonho
Que vive sem sentido
É a vida, suponho
De um gajo bem fodido.
E fodido, porquê dirão
Ele até tinha consciência
De vida abaixo de cão
Perdeu logo a paciência.
Por isso escreveu algo aleatório
Rimar, eu já nem tento
Podem dizer que é premonitório
Mas é a força do movimento.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Porque o esforço é fútil quando o sentimento é vazio

Iveco. Mafalda Veiga.

Leão, Salgueiro, Chuva, Sporting, Voa Comigo, Lloret, Escuteiros, Design. O castelo, o ex-posto militar, o corredor das quarenta, o Liceu, a casa do Marco, a Quinta do Dr. Beirão e o homem que consigo falava.

São todas expressões que nada significam, nada importam, nada alteram. Para todos os outros.

Para mim, significam tudo. A cada uma está atribuída uma memória, a essa memória, um sentimento. Torna-se bastante peculiar a forma como o ser humano atribui simbologias a pequenos artefactos inofensivos. Mais tarde tais artefactos reivindicam as memórias guardadas e tornam a atormentar a paz interior.

Oh, como anseio pelo raiar do astro que me irá levar este ultimo fôlego. Até lá, estas palavras que poderiam obter outro papel qualquer, serão sempre o mesmo para mim, um maldito castigo.

Não me posso recordar, anseio pelo seu regresso. Não me posso esquecer, em todo lado estão.

Mais, culpa não se pode atribuir a quem. Não há do culpado, não há repúdio. Pois é isso a paixão, um crime sem justiça.

Oferta milagrosa seria oferecerem-me imparcialidade, ficar neutro. Em leigas palavras, esquecer. Não é possível, já me acreditei que não. Nunca totalmente. Para si, serei sempre uma sombra que atormenta a sua alma.

Falta-me a coragem necessária para esquecer estas expressões e seus significados.

Tal ímpeto tarde chegará.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Foda-se.

Foda-se. Sinceramente ? Foda-se. Mas mesmo. Foda-se. Ao quadrado. Um foda-se ao cubo. Um foda-se elevado a uma colhonésima, a uma merda mesmo abissal. Mas é que mesmo, foda-se.

Um gajo acorda, levanta-se da puta da cama, deambula feito um filho da puta de zombie, bate com os joelhos em tudo o que é merda, arrasta-se para a filha da mãe da banheira para apanhar com água gelada nos cornos, para ter de se vestir a mesma roupa, para ter de vestir a mesma cara, a mesma disposição, a mesma MERDA todos os dias.

Mas é que FODA-SE!

Um gajo chega onde tem de chegar, tenta organizar a puta da mente em partes ordenadas para ver se nada desaba dentro do cerebro, tenta manter-se calmo, e é logo de manhã "Ah, hoje estás mal disposto!". Mas não hei-de estar mal disposto caralho ? Quando metade das pessoas com as quais convivo são animais, e quando a outra metade são os iluminados que raramente me aparecem à frente ?

Nãããão, foda-se, eu tenho é de ter um sorriso na cara! Tenho de aumentar a puta da fasquia unilateral da minha pessoa, e viver para os outros! Eu sou um santo! Foda-se, se o outro era o Super Camões, eu sou o Super Cristo! Posso não fazer da água vinho, mas estou cá para ser crucificado pelas opiniões dos outros.

Porque claro, um gajo não pode acordar mal disposto. Não posso olhar pela janela, sentir o frio do nevoeiro, e pensar "Foda-se, mais um dia de merda.". Nããão, tenho de pensar "Oh, bela manhã que assomas pela janela. Toma-me no teu seio luminoso, mete-me o fardo ás costas, e prende-me numa puta de prisão doentia durante as próximas 8 horas."

Foda-se, que isto me enoja. Como é que é possivel. Depois ainda há coisas mais bonitas, como por exemplo, não ter nenhuma, mas mesmo nenhuma inspiração para escrever. E isto é sofrivel, caralho. Um gajo raramente tem conversas de jeito onde possa dar a sua opinião e aprender com a dos outros, mas ainda por cima tem de ficar sem ponta de inspiração por onde lhe pegar textualmente. "Ah, escreve algo random.". Pois, boa ideia. O meu mal é que isto não é random, é um desabafo autêntico. É um verdadeiro foda-se à minha vida, que se está a tornar num cumulo do mais engraçado possivel.

Das 8 ás 7, 5 dias por semana, a mesma rotina de merda. As mesmas vivências, as mesmas conversas, os mesmos "Epá, vamos esperar que apareça aqui X ou Y para discutir algo decente.", o mesmo "Foda-se, não tenho nada para fazer." mesmo quando tenho 1001 coisas para avançar.

Bah. Puta que pariu.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Paura

Medo, qual sentimento cruel, e contudo, tão benevolente. A vida encontra-se no pavor que se encontra no interior de cada um. Neste momento, eu temo. Algo lá no interior, sei eu bem de que assunto menciona, assombra o pensamento e corrói a felicidade. Contudo não existe vida se não corroborar no atrevimento. Muitos conservam que uma vida longa e calma é algo bem saboreado, porém lamento mas não partilho de tal tese.

Frequentemente, quase esses todos chegaram a realizar de que a vida fora pobre em experiências enquanto aguardavam na estação da vida, cujo próximo destino é o de todos.. Sendo assim, consideremos se não será boa aposta viver um risco. Como saberemos se estamos realmente vívidos se não desfrutarmos da emoção do perigo? É o factor que salga a vida, a epinefrina, C9H13O3, que contém a instrução para uma vida cheia de fulgor e episódios invulgares.

Obviamente que como todas as drogas (claro, meus amigos leitores, que a adrenalina também é uma droga) quando utilizada num consumo excessivo se pode metamorfosear num descuido. Mas de vez em quando é sempre bom um pouco de caos. Algo que nos possa atormentar a alma e nos faça exclamar: "Muitos contratempos enfrentei enquanto o rio foi correndo, todavia conservei a dignidade, e o rio não secou em vão."

Portanto satisfaço-me. Contento-me com tais dilemas que fantasiam este rio que corre, pois só lhe proporcionam um fluir mais natural.

Aos que censuram todos os que carregam uma vida de extremismo, apenas agradeço a ingenuidade e a ignorância que os tolda, permitindo aos loucos uma vivência mais livre e real.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Afável

Sento-me. A chuva que abraço
Concorre pelas intersecções dos meus dedos.
Talvez não haja pior oportunidade, mas
É desta tristeza que padeço.

Alguém disse, soprou um murmúrio,
Todavia, a maré tinha acalmado.
E rodeado pelo lusco-fusco,
O homem se sentiu toldado.

Triste ficou, algo no fundo permaneceu.
Não graças a algo, mas a ela.
Morreu, e por ali ficou
A haste que suporta la vita bella.

Será hora sem igual?
O mundo é jovem
E os pilares da fé sustentam a felicidade
Com que outros se comovem.

Nada mais, nada menos que a luz
Salva este doloroso sacrifício,
Mas o que não alcança a verdade
Não o é do ofício.

Silêncio! Que ainda a chuva é húmida
E os cantos da alma o corpo já sobrevoam.
Porém com este eterno desejo
Mui alto tais cantos soam.

"Livrem-se!", gritam.
Contudo impressionam cantos
Que na chuva se homogenizam
E na multidão com outros tantos.

Assim se cessa o inevitável.
Aquela que outrora fugiu
Um amor partiu
E a despedida deixou
De forma afável.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Querer e não conseguir.

Um sorriso. Um olhar. Um simples gesto de aparente insignificância. Pequenas coisas a que ninguém dá importância devido à sua banalidade. Para uns não significa nada. Para outros significa muito. Aquele sentimento outra vez. Estás outra vez com um nó na garganta e continuas a achar que agora não é uma boa altura. Nunca é. A insegurança apodera-se de ti. Já não consegues estar atento à conversa. Abres o maço e acendes um cigarro. Começas a pensar nas palavras que dirias, no que aconteceria se não conseguisses mostrar o que sentes. E como sempre, a tua linda mente em vez de ajudar, piora. Isso, continua a pensar no que poderia acontecer em vez de agires. Quanto mais pensas, mais mal te sentes. És uma merda e sabes disso. Quem é que não consegue mostrar o que sente ? Sinceramente, qual é a puta da dificuldade ? Sabes que se o fizeres vais-te sentir melhor e no entanto não o fazes. Porquê ? Desde pequeno que te habituaste a guardar tudo para ti e desde pequeno que te disseram que era pior. Sempre pensaste que sabias o que era melhor para ti e que não precisavas de conselhos. Bem que te fodeste. Agora tens que te aguentar. Sofre. Para aprenderes a não seres teimoso. Voltas a ti. Perguntas de que estão a falar e voltas à conversa. Mas não por muito tempo. Tentas mais uma vez ganhar coragem e pôr a insegurança de parte, mas voltas a pensar. Mais uma vez, não consegues prestar atenção à conversa. Sabes exactamente o que queres dizer mas não consegues. É como se nunca tivesses aprendido a falar. Vais para casa. No caminho a tua mente tortura-te. Sabes bem que o podias ter feito. Que se foda. É amanhã. Amanhã dizes tudo o que sentes. Claro que sim. Tantos foram os amanhãs que já perdeste a noção do tempo. Chegas a casa e só pensas numa coisa: cama. Estás de directa e precisas de dormir. Pena é que a tua mente não tem esses planos e ficas sem sono. Estás a dar em maluco. Precisas de parar de pensar e pegas num livro. Fumas um cigarro. Dois. Três. Olhas pela janela e já está a amanhecer. Sentes-te aborrecido e ligas a televisão. São três da tarde e atinges um nível de consciência mínimo. Dormes. Ao menos enquanto dormes não pensas em nada. Descansa bem que quando acordares vai voltar tudo ao mesmo, por isso aproveita.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Disease

Mais uma vez, terei de falar em vícios. Eu gosto de Marijuana e dos seus derivados, assim como também gosto de álcool. Mas neste momento, estou envolvido num vício muito maior. Este vício é puro. Não traz consequências físicas para o meu corpo, todavia o meu estado psicológico está deveras gasto.

É a droga das drogas. O seu preço é dispendioso, o seu prazer imbatível, e a sua ressaca, um suplício infindável e cruel.

Experimentei-a à dois anos. Foi uma sensação única, pois apesar de já ter experimentado outros compostos do mesmo género, senti-me muito bem desta vez. Bem demais.
Continuei agarrado, sempre sem pensar nas consequências, mas na altura nem me passaram pela cabeça, devido à minha idade.

E então acabou. Quis mais, mais e mais, contudo tinha certezas de que não poderia consumir novamente, e simultâneamente, ser auto-consumido. Desde então foram meses e meses de desespero, desejando intensamente para que me reabilitasse rapidamente. Consegui, venci o vício, mas sempre com um desejo de voltar a repetir.

A verdade é que me supus como seria se voltasse a desfalecer na tragédia, como tudo decorreria ao sentir aquela sensação novamente, crente de que poderia voltar a ressacar.

Mais uma vez, no dia 31 de Dezembro de 2008, passagem para 1 de Janeiro de 2009, foi mais uma dose que repeti. Fiz merda, merda da grande. E agora volto a ressacar por saber que não a poderei experimentar mais.

É horrível. Saber que algo nos faz mal, saber que nos importuna, e porém.. desejá-la à mesma, para sempre. É um vício, e é meu dever sustentá-lo. Mas questiono-me como poderei sustentar algo insustentável.

Sou um drogado e um junkie, sou um agarrado e um toxicodependente, sou um viciado e um fraco.

Espero que um dia me tome a salvação desta mulher que me droga.