segunda-feira, 25 de abril de 2011

Limpeza de primavera

Vamos lá limpar o pó do nosso adorado confessonário.

Hoje lembrei-me do nosso blog. Aquele que começou porque estavamos aborrecidos e passou a ser muito mais que uma simples página de internet. Dá-me pena ver que a último pedaço de nós foi escrito a 16 de Novembro de 2010. Quase 6 meses. Ainda me lembro quando queria, mais que tudo, ter 16 anos. E depois 18. E agora ? Agora estou com 21 e os últimos 6 meses passaram tão depressa quanto aqueles minutos de manhã antes de sairmos, atrasados.

Dizem que o ser humano adapta-se a um meio diferente em 6 meses. Ora, eu já aqui estou há mais de 6 meses e não me sinto nem um pouco adaptado. Também nunca me senti adaptado onde estava, mas aqui o sentimento é multiplicado por x. Sendo x diferente de 1. Na aldeia era diferente, aqui sou um bicho do mato. Não que o sentimento não me agrade, pois sempre tive a mania de ser diferente - que no fundo deixa de ser uma mania e passa a fazer parte de nós.

Agora eu pergunto, tal como os piercings e as tatuagens se tornam num vício, será que a mudança também ? Como a música diz: 'Só estou bem onde não estou e só quero ir para onde não vou'. Será que é mesmo assim ? O sentimento é esse, sem tirar nem por, mas é também o que nos faz sair da cama todos os dias. Bom, pelo menos a mim, é o que me faz sair da cama e enfiar-me naquele antro de ignorância onde as conversas não passam do trabalho, do tempo, dos vegetais e, obviamente, do que os outros fizeram, fazem ou irão fazer. É impressionante como pessoas tão diferentes umas das outras, pelo simples articular de palavras, tão idênticas se parecem.

Já tinha saudades de escrever o que estou a pensar e reflectir sobre o mesmo. É capaz de ficar algo confuso mas sai directo do meu sistema. E agora esse mesmo sistema bloqueou ou teve um overload porque não me ocorre nada. Capaz de ser a falta de nicotina. Portanto assim me despeço e vou fazer o que qualquer agarrado igual a mim faria.