quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A place for my head

Eu quero escrever.. eu juro que sim.
Mas não é fácil. Não é fácil escrever algo que me agrade, quanto mais a outros.


Isto, porque tudo se encontra fodido e em decadência.

E a culpa é tua. Tu, isento de humildade, de compaixão, de condescendência, de bondade, de vergonha. Tu que lês, e te sentes ofendido, "Que anónimo é este que se julga no direito de me julgar?".

Sou humano, e sei tudo quanto a ser humano.

Tu que roubas, não me chames de criminoso. Tu que mentes, não me chames de falso. Tu que trais, não me chames de infiel. Tu que ameaças, não me chames de violento. Tu que és louco, não me chames de insano.
Tu que me apontas o dedo, e pela calada tomas o delito, não tens o direito à tua mísera indignação. Compra um espelho, ou vê-te no imundo rio em que te banhas, porco.

Por tua causa, vivo num mundo que não quero para mim, nem para os meus. Por tua causa, sofro.

Mas não reparas, não te incomodas, não te preocupas nem te consternas. Despreocupado, encolhes os ombros e exclamas "Nada há a fazer", como egoísta que és. O Mundo gira sobre si e acabaste de foder isto um pouco mais.

Por cada lamento perdido, por cada ajuda desaparecida, por cada consciência tranquila, e por cada coração fugido, este mundo se desaba.

Por tua causa, sofro.
Por minha causa, sofro.
Por tua causa, sofres.
Por minha causa, sofres.
Por nós, e por sermos como não somos, sofremos.

Somos merda, e eu já não quero este mundo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Cá fora

Cá fora faz frio. Cá fora existe dor, mágoa e angústia. Aí dentro é muito diferente. Aí dentro tu mandas. Tu tens o poder. Tu causas a dor, a mágoa e a angústia. Tu tens o destino nas tuas mãos, se é que este existe. Tu rebitas a vida a um rótulo imundo. Mas um dia esse mesmo rótulo, essa mesma imundice, cada filha da puta de rebite que usaste para manter tudo sob o teu controlo, virar-se-ão contra ti. O feitiço virou-se contra o feiticeiro, nunca ouviste ? No teu caso, o feitiço virar-se-à contra o feiticeiro. A mesma dor, mágoa e angústia que criaste e abusaste, senti-la-às na pele, na mente. E aí, aí sim, verás como são as coisas cá fora. Cá fora tudo é diferente. Não tens o teu castelo, não tens a tua escolta. Tens um fosso de merda onde só há merda e nada mais que merda. Merda, sabes o que é ? É aquilo que crias a cada segundo que respiras, a cada passo que dás, a cada acção que tomas, a cada palavra que dizes, a cada segundo que vives. A tua presença provoca-me náuseas. A tua presença torna feio o que antes fora bonito. Tu és o culpado daquilo que te queixas. Tu e só tu. Julgas-te um rei rodeado de súbditos. Julgas-te intocável. O teu cheiro a mesquinhez sente-se a quilómetros de distância. És repugnante mas julgas-te apetecível. Metes nojo ao nojo. Mas não metes medo. Qualquer rei rodeado da sua escolta tem tomates. Quero-te ver cá fora. Quero-te ver na merda. Quero-te ver rebolar no nojo. Bem no meio da escória que tanto reprimes e odeias. De onde vem esse ódio ? Boa pergunta. Só tu o sabes, ou não. Mas deve ter sido das pilas que tiveste que chupar para chegares onde chegaste. Grande feito ? Não. A chupar pilas ganham as putas a vida e mesmo assim são seres que ao pé de ti, parecem princesas. Dizes que tens a faca e o queijo na mão. Cá fora não há queijo, só há facas. A tua vida é uma merda e deve ser por isso que tens prazer em foder a dos outros. És um herói. És um herói nessa tua mente limitada e atascada em merda. Mas cá fora não há heróis. Cá fora o sol não brilha como brilha no teu mundo encantado. Cá fora não há cores. Cá fora há merda. Lembra-te disso quando cá vieres. E sei que um dia virás. Cá fora faz frio, muito frio.