terça-feira, 31 de março de 2009
Ode ao ódio
Sempre me disse a mim mesmo que pensar, nunca seria demais. Que imaginar, que fazer filmes na minha mente, seria sempre algo que me daria asas no futuro. O que tenho planeado hoje, é o que quero realizar amanhã. Mas no fim, do que valem os sonhos ? No final de contas, nada corre como planeado, e o sonhador é deitado por terra, com um estrondo que lhe esmaga a alma e lhe corrompe as lágrimas. E apartir daí, como é que se levanta ?
É uma pergunta que percorre a minha mente fluentemente. Como se recupera algo partido, como a mente frágil daquele que perdeu ? Daquele que falhou ? Daquele que sente que não se consegue levantar, devido a uma força maior que ele que o empurra para baixo, que faz dele o miserável que é ? Que força ajudará este ser ridiculo, que esperneia no chão, clamando por uma mão ?
Uma força interior chega. Um pensamento simples, primal, que nos percorre o sangue, que nos percorre a mente, que nos corrompe, mas nos dá força.
Isto, é uma mera ode ao ódio. A onda de pensamento invade, mas nunca chega a retaliar contra o seu dono, e sabem porquê ? Porque a culpa não é nossa. Quando o ódio invade, os culpados nunca somos nós. E isso, é liberdade. Culpar os outros pelo nosso fracasso, culpar os outros pela nossa dor, simplesmente culpar os outros ... é uma mentira.
Mas é uma mentira que fere muito menos que a realidade.
quinta-feira, 19 de março de 2009
A mera simplicidade
A sério. É simples. Estou no estado de espírito certo para divulgar informações que dependendo de quem as leia, possam ser depreendidas de várias maneiras. Ou concordam, ou discordam. Não que a mim, neste preciso momento, me interesse de todo. Acabei de vir do café. Café equivale a cerveja. Cerveja equivale a cigarro na mão. Cigarro na mão equivale a maço no bolso. E toda a gente sabe que cerveja + cigarro na mão é igual a um sorriso na cara (nem sempre, mas quase).
Depois de uma introdução tão longa e vistosa, quase que me esqueci do tema que ia abranger. Mas porra, também podia entrar aqui numa longa dissensão sobre algo aleatório, tal é o meu estado.
Aliás, alongando ainda um bocado a vossa espera pelo texto real. Podia fazer até um simpósio elegante, um Q&A, um debate. Mas não. Vou falar sobre algo que vos pode ser relevante ou irrelevante, um mero fluxo de uma sinapse cerebral electrizada momentaneamente.
Hoje, quero falar da realidade das coisas. Sim, leram bem. A realidade das coisas. E a realidade é um todo demasiado extenso, por si.
A realidade é uma pedra. Simples, redonda, lisa, cinzenta. Acabamos de a apanhar do chão, e olhamos directamente para ela. Sentimos o seu peso na nossa mão. O seu odor é-nos indistinto. A sua textura. Percebemos isto tudo sentindo-o. Mas esta é apenas uma realidade. A realidade do olho nú, a percepção fisica, mas nem de todo completamente realista. A pedra é o que nós percebemos da pedra. Mas será a nossa realidade, toda a realidade ?
Fragmentem a pedra. Partam-na. Abram-na, estilhacem-na, esmaguem-na. Quebrem a realidade que ostentavam orgulhosamente nas vossas mãos. E vamos ver que há mais realidade além daquela que se imaginava. A pedra pode ter fragmentos dentro dela, por exemplo, dum fóssil. Abre-se então uma nova realidade dentro daquela que pensavamos inteira. Dissequemos a pedra em atómos. Uma abrangência louca que se abre à nossa frente, instaurando na nossa mente a dúvida da certeza absoluta.
Mas a pedra, de qualquer maneira que a vejam, está sempre na vossa mão. E agora, podemos ter escolhas. Ou a vemos da maneira simplista, que nos diz tudo o que apenas nós queremos saber, ou a vemos de maneira profunda, e procuramos nela o sentido máximo até aos confins.
Sinceramente, tem tudo a ver com a simplicidade da nossa visão. Ser simples é bom. Mas ser demasiado simples, é ser ignorante.
Já não sei o porquê deste texto. Acho que estava a pensar numa cerveja. Num cigarro. Não interessa. O que interessa é que o escrevi.
domingo, 1 de março de 2009
Que poderei eu dizer.
quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?"
Que poderá um miserável como eu dizer?
Quem intercederá por mim,
Quando os justos necessitarem piedade?
Este excerto do Requiem diz tudo. É uma verdade inalterável, na qual eu não posso tocar, apenas sentir. É uma máxima de vida. Algo que me entristece, e envia abaixo constantemente. Sempre que olho em frente, sempre que olho para trás, persegue-me, assombrando-me a alma. E sinto-me sempre assim, na penumbra do pensamento.
No final, quem intercederá por mim ? Quem poderá dizer o bem que fiz, quem poderá dizer uma palavra bonita, conhecer um gesto amavel, um toque súbtil, mas que altera uma vida ?
Quem poderá dizer que o ajudei, que estive lá, que fui uma pedra, um suporte ?
É este o mal de ser uma sombra, que se dilui na luz das multidões. É ter a benção e a maldição de não ser reconhecido, e de nada ser, a não ser uma sombra.
E no fim, ninguém nos conhece. Ninguém verte uma lágrima, ninguém diz uma palavra bonita. Ninguém se lembra, ninguém se importa. Somos apenas mais um, e nada mais.
Tal como nas palavras de Pessoa ...
"Sinto-me como uma sombra,
De um vulto que não vejo e que me assombra
E em nada existo, como a treva fria."
Quão descartável é o animal humano ...
