quem patronum rogaturus,
cum vix justus sit securus?"
Que poderá um miserável como eu dizer?
Quem intercederá por mim,
Quando os justos necessitarem piedade?
Este excerto do Requiem diz tudo. É uma verdade inalterável, na qual eu não posso tocar, apenas sentir. É uma máxima de vida. Algo que me entristece, e envia abaixo constantemente. Sempre que olho em frente, sempre que olho para trás, persegue-me, assombrando-me a alma. E sinto-me sempre assim, na penumbra do pensamento.
No final, quem intercederá por mim ? Quem poderá dizer o bem que fiz, quem poderá dizer uma palavra bonita, conhecer um gesto amavel, um toque súbtil, mas que altera uma vida ?
Quem poderá dizer que o ajudei, que estive lá, que fui uma pedra, um suporte ?
É este o mal de ser uma sombra, que se dilui na luz das multidões. É ter a benção e a maldição de não ser reconhecido, e de nada ser, a não ser uma sombra.
E no fim, ninguém nos conhece. Ninguém verte uma lágrima, ninguém diz uma palavra bonita. Ninguém se lembra, ninguém se importa. Somos apenas mais um, e nada mais.
Tal como nas palavras de Pessoa ...
"Sinto-me como uma sombra,
De um vulto que não vejo e que me assombra
E em nada existo, como a treva fria."
Quão descartável é o animal humano ...

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