terça-feira, 1 de setembro de 2009

Matem-me

Quero pregar-me. Esfolar-me, amputar as pernas, abrir o crânio com a parede, arranhar o corpo com um ancinho, desbastar a língua, partir os dedos, deslocar as vértebras, dissecar artérias e incendiar-me.

Quero qualquer coisa. Quero tudo. Tudo que me faça suportar esta dor de ciúme. Qualquer coisa que me tire desta prisão psicológica, deste meu castelo donde me quero atirar.

A dor é como um delírio, coloca-nos a correr e faz-nos acreditar que voamos. Tira o folgo e ilude que se respira. Mata, e no entanto cria.

Mata. A dor mata. E vai torturando lentamente, como o mais denso dos rios.
A dor cria. Cria ódio. Ódio, a forma de paixão mais ardente, aquilo que percorre as entranhas incendiando tudo a seu redor, aquilo que me tocou ao de leve e comprou a racionalidade.

Insano, estou a ficar preso.

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