Preciso de um sinal. A sério. Preciso de um condenado sinal. Há tanto na vida de um homem, e até a um certo ponto, ele precisa de um sinal. De uma puta de luz no final do corredor, de conhecer o calor da finalidade. Eu, neste preciso momento, nesta altura da minha vida, preciso de saber. Não estou a pedir que me mostrem o final. Não estou a pedir que me contem o futuro. Quero apenas saber que estou cá, e que vou continuar cá por alguma puta de razão. Porque, digam-me, que é o homem sem um sentido de utilidade ? Que é um homem, sem o sentimento de finalidade ?
Eu estou praticamente à beira das lágrimas. Começo a pensar, e não sei o que escrever. O turbilhão na minha mente, na minha alma, na minha merda de ser, atormenta-me a carne e sangue. Um homem pensa, e quer finalidade. E quando se olha ao espelho, e vê que não passa de uma máquina sentimental, cujo mero propósito é o ódio, o amor, não se sente completo. Eu não me sinto completo. Não consigo. Não me consigo olhar ao espelho, e dizer " Estás cá por uma razão. Estás cá com um sentido. "
No final do dia, depois de me enternecer, depois de estar com amigos, depois de amar ou ser amado, vejo que o meu propósito continua a ser o mesmo. Nulo.
E nesse mesmo momento, o meu sangue ferve, e o ódio toma conta da fraca carne. No final do dia, sou o animal que sempre fui, e quando acordo novamente ...
... uso a mesma carapaça falsa que sempre usei. Mas o rancor mental continua cá ... e o meu ódio continua a florescer.
Finalidade ... dái-me uma.

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