Não passa de um vagabundo
De olhar triste, lugubre
Que anda a passada lenta pelo mundo
Como se seguisse uma marcha funebre.
Marchando sem sentido ou companhia,
Deita-se no chão frio da calçada.
Sente na pele o riso gélido de quem se ria
Daquele que agora é uma alma penada.
Simplesmente nada interessa
Seja nome, sexo ou idade.
O vagabundo não passa de uma perdida peça
Desta distópica sociedade.
Enquanto sofre, sozinho, vagueando pelas ruas,
Afoga o seu tormento na bebida.
Olha para as suas mãos, gretadas e nuas
Chorando a sua juventude perdida.
E depois de tanto sofrer
De tanta mágoa e dor dispar
Dorme o seu último sono, sem saber
Que nunca mais iria acordar ...
Quem fará pelo vagabundo justiça ?
Quem chorará o seu partir ?
Rezar por ele uma última missa
Significaria tanto como mentir.
Enterrado agora, sem nome ou rosto
Aquela pobre alma perdida
Sente na morte, o mesmo desgosto
Que sentiu durante toda a sua vida.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário