quinta-feira, 1 de maio de 2008

Paisagem

Eu sempre gostei da vida. Sempre achei que é um bom pedaço de tempo em que passamos certas e determinadas aventuras. Boas aventuras, e más aventuras... Sempre tentei sorrir e esquecer os problemas, mas existem alturas em que tal acção não é possível. Problema, como descrito na Wikipédia, é "uma dificuldade na obtenção de um determinado objectivo". Resumidamente, o meu objectivo neste momento é ser feliz, nada mais.

Mas e quando não se pode ser feliz? Lamentamo-nos e choramos os nossos erros. Refugiamo-nos em algo maior à procura de algo que nos diga "não foi culpa tua", pois o Ser Humano não admite nada. Contudo, e muito em quando, sabemos que a culpa não foi nossa, não criámos aquela situação. Quantas vezes não desejámos ter tomado outro caminho? Quantas vezes não desejámos não ter exposto o nosso orgulho? Quantas vezes não desejámos voltar ao Passado? É a mancha do Indivíduo, o Passado. As nossas acções, quer presentes, quer futuras, dependem das nossas acções do passado.

E agora presentemente, sinto-me na minha qualidade de pessoa. Pois quando se tem medo, tudo nos parece mais claro. A comida sabe-nos melhor, a água fica mais fresca do que nunca, e vemos quem são os nossos amigos. Aí, sentimos o arrependimento profundo e a adrenalina a fluir no nosso sangue. Não sabemos quem espreita, não sabemos quem espia. Não há volta a dar. O mal está feito e temos de enfrentar o nosso destino, quer seja esse a Dor, ou a Morte. Nunca achei que admitir o medo fosse uma vergonha, aliás, nunca achei que qualquer acto fosse alguma vergonha. Mas não há liberdade, não há respeito, não há paz e não há segurança.

"Mas como se é feliz?" é a pergunta que nos colocamos. A resposta é simples: somente sendo cego, surdo, mudo e paraplégico simultâneamente. Se formos surdos, não ouvimos o que não nos compete. Se formos cegos, não vemos o que não devemos. Se formos mudos, não falamos do que não é connosco. E se formos paraplégicos, não mexemos no que não nos pertence.

Mas eu sempre gostei da Vida, e aí, eu não minto.

A ouvir: When I Die - GG Allin

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