segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Diário de um homem morto

Heh. Estou a falar sozinho. Parece que atingi o limite da minha loucura, e personifiquei a minha mente. Lindo. Já comecei a narrar e tudo. Bem, toda a esperança está perdida, por isso, vou-te dar o prazer - sim, a ti, mera sombra da minha imaginação, vou-te dar o prazer - de conheceres todos os factos que me trouxeram até este maldito calabouço. Primeiramente, apresento-me a mim. Sei que já me conheces, não sejas tu a encarnação da minha loucura, mas não importa. Chamo-me Verissimo, ou pelo menos, é de como me lembro ser chamado. Também me lembro de me chamarem crápula, traidor, nojento, filho da puta e muitas outras coisas. Mas isso já tu sabias, não é?

Bem, agora que as apresentações estão feitas, estás a ver o que eu vejo ? Provavelmente. Uma sala de pedra escura, infestada de lixo, impestada com um cheiro a vómito e sangue. O único som que ouço, é uma maldita ave lá fora, mesmo ao lado da única janela que aqui há. Aquela janela fechada, por onde entra nada mais que uma fresta de luz. Aquela puta de ave, que canta como que gozando a dicotomia entre nós os dois. Sinto-me furioso, em ebulição.

Tento fugir. Mas como seria óbvio, não estou aqui a falar para mim próprio sem razão. Ouço automaticamente o ruído metalico das correntes que me prendem pelos pés, braços e pescoço, à maldita parede. Sento-me, e encosto-me à parede. Bato levemente com a cabeça na parede, e passando com os dedos, ao de leve, pela nuca, reparo que estou a sangrar.

Foda-se.

Foi da pancada que recebi, quando me meteram inconsciente.

Filhos da puta.

Estou cansado. Tão cansado. Não percebo nada desta merda. E tu, queres saber mais ? Queres respostas ?

...

Fode-te.

Espera como eu. Agora vou dormir. Amanhã pode ser que haja sorte.

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