sábado, 9 de agosto de 2008

AMESAD

O que nos leva a pensar que podemos confiar em alguém? O que faz com que nos agarremos tanto às pessoas, e depois levemos com as suas imundas botas? Nos dias correntes, em cada livro que leio, em cada filme que observo, em cada página que navego, em cada pessoa que analiso, cada vez mais me apercebo de um ridículo pormenor: Não existe compaixão neste mundo. O conceito de "amigo" está muito aquém do que os humanos, perdão, os idiotas, pensam. Se alguém questionasse a um indivíduo "Quantos amigos tem?", certamente este iria responder "Uns quatro ou cinco".

São tretas. São coisas que nos metem na cabeça. A amizade neste mundo é nula. Tudo o que vocês vêm na televisão são mentiras. "Sim, eu tenho alguns amigos", eu cá não acredito. Quantas vezes não cheguei eu ao café e todos se cessaram? Quantas vezes não ouvi já "E por falar no diabo.." de uma forma meio-segredada, meio-amedrontada? Quantas vezes não observei aquele grupo que me olha de uma forma desprezível? Quantas vezes? Nenhuma, pois acontece-me em todos dias deste corpo.

Mas eu questiono-me. Questiono-me profundamente. "Afinal, quem é o idiota? Serão eles? ...ou serei eu?". Afirmo-o com toda a dignidade e orgulho, sou eu o idiota. EU sou o palhaço com o qual eles gozam. EU sou a aberração do Zoológico. Eu. E mais ninguém.

"Mas porquê?", questionam-se vocês. "Apenas e simplesmente porque ganhei um amor, o amor por todos.", digo-vos. Eu amo de tal maneira este mundo que tenciono contactar e manter relações com tudo e todos. Mas este mundo rejeita-me. Este mundo diz-me "Não quero a tua compaixão. Não quero a tua bondade. Não quero a tua amizade. Apenas quero que te fodas".

E eu sinto-me isolado. Sinto-me sem ninguém. No final do espectáculo, o palhaço chora. O palhaço arrasta-se pelo chão gritando e uivando por alguém que o ame a ele.

Nunca apareceu ninguém que o amasse. Até que um dia, o palhaço parou e meditou. Ele não tem culpa. Ele nunca pediu por amar todos. Então os idiotas são os culpados. O palhaço levanta-se e rejeita tudo e todos. O palhaço odeia os idiotas que se sentam no circo da vida. O palhaço odeia todos os que o humilharam, e o seu amor converte-se em ódio.

O palhaço descobriu uma arma mais poderosa que um gatilho, uma arma mais resistente que titânio. O ódio. O palhaço certamente morreu, mas com ele nasceu um novo homem. Um homem sem falhas. Um homem que não ama, e um homem que não ama, é um homem que não possui fraquezas. Mas no entanto, um homem é um idiota. E tudo recomeça.

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